Estreia na direção de Greta Gerwig (que também assina o roteiro) Lady Bird (que ganhou o subtítulo no brasil de A Hora de Voar, coisa que depõe contra o filme) é um drama cômico parcialmente autobiográfico focado na personagem Christine “Lady Bird” McPherson (Saoirse Ronan).

A narrativa é ambientada na pequena cidade de Sacramento, Califórnia, de onde a personagem tenta desesperadamente “voar para longe” já que está no último ano do ensino médio e prentende ir para uma faculdade que fique o mais longe possível. Sacramento é pintado como um lugar sem vida e a iluminação simplista cria uma composição visualmente monótona.

A insistente “Lady Bird” que a todo momento berra para ser chamada assim se torna rápidamente cansativa e infantil (sua predecessora em Confissões de uma Adolescente em Crise já se comportava assim e fazia-o de uma maneira melhor). Christine nunca se dará por satisfeita e não mede esforços para culpar qualquer um que seja por sua miséria emocional, ao invés de fazer algo sobre isso. Ela é um passáro mimado e preso em uma gaiola que criou para si mesma.

O filme que apesar de apresentar os dramas comuns da adolescência não se aprofunda em nenhum deles, mostrando apenas recortes superficiais como pequenas anotações de um diário. Nenhum acontecimento recebe atenção mais aprofundada o que acaba por deixá-los todos vazios.  E de fato falta um conflito dramático principal, visto que o que seria um principal conflito ou seja, a relação entre a mãe e filha, na verdade mostra-se algo oco pois não há nada de errado entre as duas, as inúmeras discussões que passam são apenas fomentadas pela “fase” pela qual Lady Bird está passando e também por sua intransigência e intolerância de querer as coisas na mesma hora em que as pede, sem se importar com os sentimentos das pessoas ao seu redor. De fato em se tratando de relações de mãe e filha um filme que explora de maneira muito mais sagaz e complexa esse aspecto é o longa Eu, Tonya.

Lady Bird é excessivamente rude e cruel sem motivo em inúmeras ocasiões do filme como quando ela diz a uma palestrande na escola que “se sua mãe tivesse lhe abortado, não teriamos que ouvir esta palestra idiota” ou para o próprio irmão que ele “nunca arrumaria um emprego com essas coisas na cara” referindo-se aos piercings, ou para a mãe que “darei um cheque lhe compensando pelos gastos que teve na minha educação para que eu nunca precise falar com você novamente”. Isso so mostra tamanha infantilidade da personagem bem como uma incapacidade de olhar ao redor e ter empatia com os outros.

É também quase que rídiculo ver o tão genial Timothée Chalamet de Me Chame Pelo Seu Nome, ser renegado a um papel medíocre, caricato e inexpressivo que é apenas mais um dos estereótipos que o filme nos apresenta. Para um filme que se diz “indie”, Lady Bird está recheado de estereótipos adolescentes, a garota “vagabunda”, a melhor amiga gordinha, o melhor amigo gay entre outros. E não só isso, Lady Bird não nos traz nada de novo, não há nenhuma novidade na abordagem da história do amadurecimento de uma jovem de uma cidade pequena. Lady Bird acaba por cair pelas próprias pernas (ou devo dizer asas? rs) por acreditar demais em seu próprio hype.

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