Filha das Trevas ou And I Darken (que é um título bem melhor, mas a tradução foi boa devido ao contexo ) narra a história de Lada e seu irmão Radu. Originários da Valáquia, ambos são filhos do voivoda(príncipe guerreiro) Vlad Dracul. Ambos buscam desde muito novos a aprovação do pai, mas ele não parece perceber muito a existência dos filhos, a salvo para reclamar que Lada, ao nascer, não fosse um menino.  Enquanto crescem os dois irmãos não poderiam ser mais diferentes, Lada é impulsiva, rude, arisca, sonha em lutar e ser uma guerreira. Radu é pequeno, frágil, e seu pequeno rosto angelical vive para se esconder entre as saias da Ama.

Com capítulos de narrações intercaladas acompanhamos o crescimento de ambos, até o momento em que o pai é forçado a tomar uma decisão que mudará suas vidas para sempre, envia seus dois filhos para morarem no império Otomano, como reféns, em Edirne. Lada quer mais do que nunca voltar para sua terra, para casa, para sua verdadeira mãe, a Valáquia. Porém não é o que acontece com Radu. O menino se vê fascinado pela cultura diferente que conhece e também pelos preceitos do Islã. Ambos também se veem em uma nova amizade com Mehmed o filho do Sultão.

Almas e tronos são inconciliáveis.

O livro nos guia através dos anos e das mudanças e amadurecimentos dos dois personagens e se em algum momento duvidei de que iria gostar da história isso já caiu por terra enquanto eu vorazmente virava as páginas e devorava o livro em apenas 48h. A escrita de Kiersten é simples e direta, e também arrebatadora. A maneira que a autora constrói e desenvolve os personagens me fascinou e já entrou para a lista de autoras cuja escrita admiro.

Lada é uma personagem sagaz, irônica e até mesmo feroz. Ela não medirá esforços para conseguir o que quer e também para provar que é uma guerreira melhor do que qualquer homem. A personagem é sensacional. Também gostei de Radu e há vários momentos em que ele rouba a cena, e confesso que o pouco que sabia sobre o romance antes de ler não me fez antecipar uma narração com dois pontos de vista, mas fiquei muito satisfeita por isso estar presente e pela maneira como foi conduzido.

O worldbuilding na Europa oriental foi excelente, não li muitos livros com tal pano de fundo e achei incrível ler um livro que explora tão bem essas culturas e suas religiões, de fato esta ultima é um tema recorrente no romance, tanto em questões de fé quanto na ausência dela.

Sempre que pensava que o livro não podia melhorar a autora movia as peças e conseguia me surpreender novamente, e no final percebi o quanto as coisas mudaram ao longo da narrativa e é claro também fiquei ansiosa para o próximo volume. Minha primeira leitura de 2018 e também um favorito Filha das Trevas é um livro surpreendente e inovador.

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