O Conto da Aia é uma distopia onde num futuro próximo em Gilead (antigo Estados Unidos) um novo modo de sociedade foi estabelecido. Offred, do inglês Of Fred ou seja “do Fred”, é uma Aia na casa de um importante e enigmático Comandante e de sua esposa. Offred tem permissão para fazer compras uma vez por dia, em mercados cujos letreiros foram trocados por desenhos já que agora as mulheres são proibidas de ler. Ela também pode rezar em seu quarto seguindo os preceitos do velho testamento. Mas ela ainda se lembra da vida que tinha antes, do marido e da filha, antes de perder tudo, inclusive o próprio nome.

Nolite te bastardes carborundorum.

A verdadeira função de uma Aia, no entanto,  é a da procriação. Num mundo que foi devastado pela radiação e pelas guerras a maioria das mulheres são inférteis. Offred foi selecionada e agora é propriedade do governo e tem como objetivo cumprir sua “função biológica”. A parte mais bizarra de tudo isso é que Offred funciona como um intermédio entre a esposa e seu Comandante, já que ela não pode gerar filhos, e é por meio de uma “Cerimônia” bizarra que ela deve se deitar com o Comandante afim de engravidar dele.

Como é fácil inventar uma humanidade para qualquer pessoa, qualquer uma. Que tentação disponível.

O regime teocrático e totalitário é completamente opressor e é impossível não ficar assustadíssima durante a leitura, e isso se dá pela tamanha facilidade com que conseguimos crer neste mundo distópico, pelo fato de que ele não está tão distante assim de nós.

A escrita de Margaret é fluida e leve apesar do livro ser pesado. Devorei-o em apenas um dia tamanha curiosidade de saber seu desfecho. O livro foi publicado em 1985 e já foi adaptado para o cinema, o teatro, a ópera e agora para uma série de tv, que eu vi antes de ler o livro. De fato ambos (a série e o romance) são perturbadores, mas a série teve um quê a mais para mim, talvez por ser algo visível e desta forma mais “concreto” eu fiquei mais impressionada em certos momentos, mas de maneira nenhuma ter visto a série primeiro atrapalhou a leitura, pelo contrário li com uma voracidade impressionante e ainda não consegui digerir e processar o fim. Exceto por algumas diferenças cronológicas a série está igual ao livro e fica aqui o meu elogio e recomendação.

A liberdade, como tudo o mais, é relativa.

O Conto da Aia é um livro difícil de resenhar, há muitas nuances e muitas críticas exploradas e abordadas durante a narrativa. É sem dúvida um dos livros mais bem escritos que já li, e uma das melhores distopias também. É um livro que faz pensar e que é como um soco no estômago a cada virar de página.

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