Desde meu primeiro contato com o mundo criado por Leigh Bardugo, fiquei intrigada e curiosa para saber mais sobre ele. Foi o que me motivou a ler Six of Crows, e para minha maior felicidade, eu amei o livro. Fiquei muito feliz que a editora manteve o título original, não ia fazer muito sentido traduzir e se tentassem pensar em um outro título em português poderia ter sido prejudicial, ainda bem que mantiveram Six of Crows.

Quando todo mundo acha que você é um monstro, não é preciso perder tempo fazendo monstruosidades.

A história se passa no mesmo mundo criado pela autora, mas enquanto Sombra e Ossos se desenrola em Ravka, Six of Crows tem como pano de fundo outro país, Kerch, uma ilha no mar oeste, e sua capital Ketterdam. Um lugar agidado, permeado por bandidos, compradores e criminosos, e inúmeras gangues,  onde tudo pode ser conseguido pelo preço certo. É lá onde se encontram os seis protagonistas desta história. Kaz Brekker é o dono do Clube do Corvo e a trapaça em pessoa, ele é contratado pra liderar um assalto de alto risco, mas que se for concluído poderá evitar que uma nova droga caia nas mãos erradas e provoque um caos devastador. Kaz reúne então sua equipe de elite: Inej, mais conhecida como Espectro, Jesper, um atirador de elite viciado em jogos de azar, Nina, uma Grisha sangradora que está muito longe de casa, Matthias, um prisioneiro que quer se vingar do amor de sua vida e Wylan, um fugitivo perito em explosivos com um passado de privilégios. Os seis “anti heróis” desta narrativa tem uma difícil jornada pela frente e o mundo todo depende deles, mas eles também precisam sobreviver uns aos outros para suceder nesta improvável missão.

O ponto mais forte deste livro, o mais impactante, surpreendente e bem construído, que merece todos os elogios é sem dúvida os personagens. Leigh Bardugo construiu personagens maravilhosos, cativantes, únicos, bem orquestrados, com histórias para contar, personalidades intrigantes, simplesmente não tenho palavras para descrever como cada um deles foi bem pensado e desenvolvido e além de eles serem apresentados ao leitor de forma magnífica ainda há o crescimento dos mesmos durante a história. Não há palavras para descrever, os personagens de Six of Crows são alguns dos melhores que já li em anos.

Santo Petyr, conhecido por sua bravura, ficava à direita. A delgada que ficava à esquerdam uma lâmina feita de ossos, ela chamou de Santa Alina. Ela também recitou os nomes de suas outras facas. Santa Marya e Santa Anastasia amarradas em suas coxas. Santo Vladimir escondido em sua bota, e Santa Lizabeta confortável em seu cinto, a lâmina entalhada com um padrão de rosas. Protejam-me, protejam-me. Ela tinha que acreditar que seus santos viam e compreendiam as coisas que fazia para sobreviver.

De início a escrita da autora foi um empecilho para mim, não sei explicar isso muito bem, mas demorou para senti-la fluir. Isto não é uma crítica negativa, afinal eu não desgostei da escrita, mas ao mesmo tempo não consegui amá-la. É um sentimento bem contraditório, mas posso dizer que apesar do entroncamento inicial, a escrita serviu ao seu propósito e foi de certa maneira corroborada pelos personagens tão marcantes desta história.

Se eu havia gostado e ficado intrigada pelo mundo criado pela autora em Sombra e Ossos, ler Six of Crows foi um banquete. Há uma expansão muito grande, visto que em Sombra e Ossos o foco se dá apenas em um país, mas em Six of Crows mais de um local são apresentados ao leitor, bem como personagens de diferentes nacionalidades, que falam diferentes idiomas, então a variedade é bem maior e ela foi fundada de maneira muito cautelosa e milimétrica, o que me deixou muito satisfeita. As descrições de Ketterdam são palpáveis, me fizeram querer visitar aquele lugar, e apenas quando li os agradecimentos ao final do livro foi que pude descobrir que a autora se baseou em Amsterdam (semelhança até no nome) para criar a cidade fictícia. E se não me engano uma das línguas fictícias do livro é uma derivação/modificação do Holandês. Isso só me deixou com mais vontade de visitar a capital Holandesa.

O livro é dividido em seis partes e os capítulos são narrados em terceira pessoa dos pontos de vista de Kaz, Inej, Nina, Matthias, Nina e Jesper. O único dos seis foras da lei que não narra o livro é Wylan e apesar de ter questionado o porque disso quando iniciei a leitura depois fez sentido ele não ter narração, mas espero que no segundo volume ele tenha. Eu amei todos os personagens do livro, mas com toda certeza minha favorita foi Inej, eu já tinha ouvido falar sobre ela no bookstagram e no goodreads, mas finalmente conhecê-la foi maravilhoso. Ela entrou para o hall de personagens favoritas da vida. Também amei muito o Kaz.

Uma coisa que gostei muito sobre a narrativa foi que nos primeiros capítulos houve apenas narrações do presente, mas lá pelo meio do livro o foco começou a transitar entre presente e passado e podemos conhecer mais sobre o passado de cada personagem. Me deliciei lendo sobre as peculiaridades de cada um, bem como dos infortúnios que tiveram que passar para se tornarem o que são. Mais uma vez ponto para a autora e sua criação de personagens.

Gostei tanto do livro que não queria que ele acabasse. O final foi muito bom e já aguardo ansiosamente o segundo volume. Recomendo muito a leitura, especialmente para fãs de aventuras e de personagens que parecem existir fora das páginas.

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