Eu tinha expectativas muito altas para esse livro, afinal eu sou extremamente apaixonada por livros sobre a Segunda Guerra Mundial, e infelizmente elas não foram atingidas.

Ada é uma menina de nove anos que nasceu com o pé torto. A Mãe (ponto muito positivo para o fato de a mãe ser sempre tratada dessa maneira “A Mãe” sem nomes ou pronomes nem nada que aproxime da personagem, apenas a austeridade e distanciamento de um “A Mãe”.) dela nunca tratou o problema da filha e portanto ela não sabe ao menos andar, tem de se arrastar para se locomover. Ada tem um irmão chamado Jamie e é ela quem mais cuida do irmão pequeno. Ada nunca saiu do apartamento onde eles vivem, e quando A Mãe quer puni-la tranca-a no armário embaixo da pia.

Até que começa a guerra, e todas as crianças de Londres começam a ser evacuadas para o interior. Ada, que há alguns meses começou a aprender a andar sozinha, vai com Jamie até o local onde estão organizando a evacuação das crianças e eles partem em direção a um futuro incerto. Ao chegarem em Kent, serão acolhidos por Susan Smith e finalmente descobrirão o que significa ter um lar e alguém que se importa com eles.

O livro é muito mais infanto juvenil do que eu achei que fosse, as narrações de Ada são bem com o toque de uma criança que está descobrindo o mundo, vendo a grama verde dos campos pela primeira vez, vendo o mar pela primeira vez, vendo animais pela primeira vez, enfim, descobrindo o mundo. A teimosia em pedir ajuda, ou perguntar algo que não sabe, são todas caracterizações muito boas da personagem.

O que me decepcionou foi que a imagem que eu tinha do livro, por conta das divulgações da editora, era completamente diferente do que eu li, e isso é bem frustrante. Não posso deixar de criticar que a seguinte frase na quarta capa “Ela teve a chance que Anne Frank não teve.” é extremamente errada. Não existe comparação com Anne Frank neste livro, afinal Ada era uma criança mal tratada pela mãe que ao ser evacuada para uma nova casa no interior acaba por enfim começar a viver uma vida, fazendo jus ao título de que a guerra foi a causa de sua vida ser salva. Anne Frank não foi salva pela guerra, não foi evacuada para um novo lar. Anne Frank morreu em um campo de concentração. Foi bem insultante para mim ler esta frase, porque como eu já disse acima não há comparação, então acho que nesse quesito a editora precisa cuidar um pouco mais com o tipo de sinopse que se adéqua a cada livro e não apenas em qual fará vender mais.

Talvez o livro funcionasse mais com uma divulgação focada no público infanto juvenil.

Para mim a primeira metade do livro foi bem tediosa. A parte boa é que o livro tem um ritmo rápido, e na segunda metade as coisas melhoraram um pouco. De fato, quando ocorre o episódio de Dunkirk na narrativa há finalmente uma presença de guerra na história, e um bom crescimento da personagem.

Não gostei de saber que se trata de uma duologia. Acredito que as coisas poderiam ter finalizado de uma maneira melhor neste livro, e não serem postergadas para um próximo. Foi difícil avaliar este livro, mas ele é muito problemático e precisa ser discutido como tal. E ele foi uma enorme decepção.

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