Tudo O Que Nunca Contei é um dos livros mais lindos e sensíveis que já li.

Lydia está morta. Mas eles ainda não sabem disso. Depois de ler a sinopse eu formei uma noção do que achei que seria o livro, mas conforme a leitura progredia descobri que estava errada e isso foi algo positivo. Eu achei que o foco seria na Lydia e nas coisas que sua família não sabia sobre ela, mas na verdade o livro foca em todos os membros da família e em suas complexidades e segredos e eu amei isso.

Lydia é a irmã do meio e a queridinha dos pais. Ambos os pais tiveram experiências frustradas quando mais novos e agora depositam seus sonhos em Lydia; mãe deposita suas expectativas com relação ao sucesso acadêmico e profissional na filha e o pai deposita suas expectativas em relação a popularidade e aceitação. O ponto de vista do livro é em terceira pessoa portanto o foco muda inúmeras vezes, nos mostrando vários vislumbres do passado da mãe, Marylin e do pai, James.

Nath é o filho mais velho, ocultado e ofuscado pela atenção que os pais dão a irmã, seus esforços e sonhos passam despercebidos. O garoto e apaixonado pelo espaço e sonha em ser astronauta, mas ninguém dá a mínima. Hannah é a filha mais nova, fruto de uma gravidez não planejada ela é praticamente invisível no sistema solar que é a família. Hannah tem um quarto no sótão e passa a maior parte do tempo debaixo de mesas e observando tudo detalhadamente. Ela é muito perceptiva e transborda amor por cada membro da família e vê-la ser tão deixada de lado partiu meu coração. Meus personagens favoritos foram com certeza Nath e Hannah, eu os amo muito e irei protegê-los.

Ali as estrelas ofuscavam seus olhos como lantejoulas. Essa é a aparência do infinito, pensou. A clareza delas a oprimia, eram feito alfinetadas no coração.

Inegavelmente a melhor coisa sobre este livro é o desenvolvimento dos personagens. Fazia tempo que não lia um tão bom e me deixou completamente sem palavras. Os personagens crescem, amadurecem, mudam, fazem descobertas e acima de tudo percebem que nem sempre as pessoas são aquilo que achamos que elas são. Uma coisa que amei sobre a forma de Celeste de contar histórias é que além de o foco transitar de um personagem a outro graças a terceira pessoa, a narração é onisciente então em alguns momentos ela nos dá informações do futuro. “Daqui muitos anos ele ainda pensará nisso” e coisas assim. Eu achei isso tão bom porque nos mostra, de certa maneira, como os personagens estarão no futuro e toda aquela coisa de saber que eles ainda estão “vivendo” mesmo depois que o livro acabou.

Outra coisa é que pensei que o livro focaria muito na morte de Lydia, no sentido de tentar descobrir o que aconteceu e até mesmo no luto, mas primeiro que o livro acaba se passando na maior parte do tempo no passado, ele transita entre coisas que já aconteceram, ou seja antes de Lydia morrer, no presente quando ela já está morta e como eu mencionei acima algumas pequenas frases que nos falam do futuro. Preciso mencionar que a maneira que o livro aborda o luto me surpreendeu, já li alguns livros sobre morte e esse foi diferente de todos e original a sua própria maneira e eu amei. Ele mantém um toque de drama, que inclusive me fez chorar, mas é tão lindo que as vezes eu tinha vontade de chorar só pela beleza das frases escritas.

E amanhã, e no mês seguinte, no ano seguinte. Levará muito tempo. Dali a anos, ainda estarão reorganizando as peças que conhecem, questionando-se sobre suas características, redesenhando seus contornos na mente. Seguros de que acertaram dessa vez, certos naquele instante de que enfim a compreendem totalmente. (…) Tantas coisas vão acontecer que eu queria contar para você, pensa ele.

O que nos leva a escrita de Celeste Ng (pronuncia-se ing). Devorei o livro em menos de 24 horas e amei cada segundo. A escrita da autora é atraente e imersiva e não foi difícil mergulhar fundo na história. Gostaria de ressaltar como apreciei o uso do itálico, e também o fato de o livro ter 295 páginas o que comprova minha teoria de que um livro não precisa ser grande para ser bom.

Quando era mais nova, Hannah achava que os adultos ficavam acordados até tarde todas as noites, até duas ou três da manha, talvez. Ela acrescenta isso à lista de coisas que acabou descobrindo que eram falsas.

Também amei muito o final, mas não posso falar sobre ele aqui, porque além de ser spoiler eu ainda não o superei. Tudo O Que Nunca Contei já se tornou um favorito e é muito, muito, recomendado.

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