Este livro é incrivelmente único e como nada que eu já li antes.

Temos dois personagens principais com duas histórias distintas que aos poucos vão se cruzando: Aomame (em japônes “ervilha verde”) é uma mulher que oculta sua fatal profissão; Tengo é um rapaz que quer ser escritor, mas acaba se envolvendo com a reescrita de um romance enigmático e isso mudará sua vida para sempre. O livro é narrado em terceira pessoa, mas nem por isso o autor deixa de nos mostrar os pensamentos íntimos e as indagações pessoas de seus personagens, conhecemos toda a história de cada um, voltando em seus respectivos passados muitas vezes e tudo de forma muito detalhada.

Se você ama , ainda que uma única pessoa, de verdade, a vida vale a pena. Mesmo que você não fique com ela.

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Por ser o primeiro livro de uma trilogia este romance é bastante introdutório, o que de forma alguma fez com que o livro se tornasse chato ou maçante. Pelo contrário, me vi voando pelas páginas guiada pela escrita de Murakami. Isto me fez observar um fato: o livro foi escrito em japonês e traduzido para o português, apesar de a tradução ser fiel é conhecido que ler um livro no idioma em que ele foi escrito é sempre uma experiência nova, justamente pelas línguas serem diferentes umas das outras. Enfim, o que estou tentando dizer é que a construção frasal e todas as questões gramaticais e léxicas do japonês são diferentes do português. Isso torna a escrita de Murakami ainda mais unica e diferente para uma leitora, como eu que nunca havia tido contato com nenhuma obra do autor. E devo dizer que ele escreve com maestria. É uma escrita extremamente imersiva  e profunda, porém ao mesmo tempo acessível.

Gostei dos personagens, da complexidade deles, mas não desenvolvi aquele apego. O que de forma nenhuma diminui minha vontade de ler os próximos volumes, pelo contrário, estou muito ansiosa para tal.

O mundo é uma incessante luta entre a memória de quem está de um lado e a memória de quem está do outro.

Quando me deparei com 1Q84 pela primeira vez foi justamente por causa do título. Sou uma fã assumida de 1984 de George Orwell e a semelhança explícita entre os títulos me fez querer saber mais sobre este estranho romance japonês. E de fato a semelhança entre as duas obras é quase que restrita unicamente ao título, a salvo algumas menções da obra de Orwell dentro do romance e do ano em que se passa a história ser o de 1984 não há muita coisa incomum. É bem provável que Murakami tenha se inspirado em 1984 para escrever seu próprio romance e na verdade é muito difícil descrever a coisa louca que é 1Q84. Uma coisa é certa, a experiência de leitura que tive foi completamente nova e diferente para mim, algo surpreendente.

Sobre a história, que consegue ser densa e coesa em suas quatrocentas e tantas páginas deste primeiro volume, tenho a dizer que é promissora. Depois do choque inicial com a escrita do autor é superado e você finalmente se acostuma e pega o embalo e quase impossível de largar o livro. Cada capítulo narra alternando entre as histórias de Aomame e Tengo. O anso é 1984 e a cidade é Tóquio. Aomame está num táxi, no trânsito de uma via expressa. Ela tem um compromisso e não pode se atrasar. O motorista sugere que ela desça por uma escada de emergência no meio da avenida e ao fazê-lo a personagem vai percebendo aos poucos e gradativamente que de alguma forma passou para um mundo distinto, identificável por exemplo pelo fato de possuir duas luas, o qual ela nomeia de 1Q84. Já Tengo se envolve em um projeto arriscado, o de reescrever um romance escrito por uma jovem de 17 anos. Crisálida de ar é o título do livro fantasioso e enigmático, e ao que parece o que o livro narra pode estar acontecendo de verdade.

Era preciso encontrar uma maneira adequada de denominar a nova situação em que se encontrava. Era necessário criar um termo especial para diferenciar o mundo novo daquele mundo anterior (…) até mesmo os gatos e os cachorros recebiam nomes. Um novo mundo também precisava de um. “1Q84 – É assim que vou chamar esse mundo novo”, decidiu Aomame. “Com a letra ‘Q’, de question mark; um ‘quê’ de dúvida, de interrogação.

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Como diz a quarta capa do livro, “uma saga pós-moderna, com mundos paralelos, garotas misteriosas, assassinatos e estranhas seitas. Uma mescla de suspense, distopia e história de amor, em que tudo pode acontecer.” Creio que esta descrição é bem adequada, pois além de dar água na boca ela mantém certo mistério. Fato que se repete durante a leitura do primeiro volume. O final deixa questões a serem resolvidas e expectativas sobre o futuro dos personagens. Estou mais do que pronta para mergulhar no segundo volume desta ambiciosa e original trilogia de Haruki Murakami.

1Q84 foi o livro que escolhi para o Japão no meu projeto A Volta ao Mundo em 80 Livros, para saber mais clique aqui.

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