Há muito tempo atrás eu li O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares (ainda não me acostumei com a nova tradução “o lar”). Precisamente foram três anos atrás e me lembro bem o quanto gostei do livro, chegando a classificá-lo como um cinco estrelas. 

Ano passado eu comprei uma edição em inglês do segundo volume da série, Hollow City, mas alguma coisa não estava certa. Eu não estava conseguindo entrar na história e acabei deixando o livro de lado por tanto tempo que só agora (em setembro na verdade) comprei a edição (linda) em português e finalmente li o livro.

Tragicamente eu não gostei como esperava gostar. Ninguém está mais surpresa do que eu mesma, porque eu queria muito gostar. A escrita de Ransom é simples e fácil de digerir e isso tornou o livro uma leitura muito rápida, e fiquei aliviada por isso. A escrita dele é um ponto positivo do romance. Os personagens entretando estão na sua melhor forma: Enoch sendo grosseiro e rude como sempre, sem entender direito as emoções dos amigos; Bronwyn cuidando das pequenas, Claire e Olive, como uma mãezona adorável e super protetora; Hugh que teve uma participação maior na história e foi bem heróico e Millard, provavelmente o meu peculiar favorito. Excêntrico, inteligente, astuto e invisível. Adoro ele. Diferente de meus sentimentos pelo nosso recém descoberto peculiar narrador, Jacob. Honestamente pra mim ele é meio chatinho.

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O clima de segunda guerra mundial me fisgou muito (é só ver minha lista de lidos desse ano e notar quantos romances sobre a mesma eu já li). Crianças peculiares, desesperadas e sem sua mentora em plena Londres bombardeada de 1940! Ah e claro que não posso deixar de mencionar o quão incrível eu acho que o dia da fenda é bem no meu aniversário. Outra coisa que gostei foi toda a ideia, já apresentada no primeiro livro, sobre as fendas no tempo, e a importância e presença delas nesta sequencia.

– Entrar é fácil – explicou, falando devagar, esforçando-se para controlar a respiração. – Sair é que é complicado. Sair vivo, eu diria. Fendas de punição são tudo o que aquele cão disse e ainda piores. Rios de fogo… Vikings sedentos por sangue… Um ar tão denso que é impossível respirar… e, como se não bastasse tudo isso, como em uma sopa infernal, sabem lá as aves quantos acólitos e etéreos.

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Edição de capa dura linda!

Algumas coisas entretanto, não funcionaram para mim. Em primeiro lugar e a mais importante de todas é que nada acontece. NADA ACONTECE. Este livro sofre da síndrome de segundos livros de trilogias (soou estranho?) onde o livro do meio é geralmente feito para enrolar. E isso é extremamente frustrante. Não é impossível ou excruciante de ler, mas é triste de pensar que poderia ter sido um livro melhor e que as coisas só acontecem nas últimas dezesseis páginas.

Em segundo lugar o romance entre Jacob e Emma não funcionou pra mim. Eu já não tinha gostado disso no primeiro porque achei um pouco forçado e eu consigo entender a necessidade dele na história, mas não é aquele casal que eu shippo (apoio, torço, gosto de ver juntos), não mesmo.

Outra coisa que me incomodou bastante é que neste segundo volume está mais explicito e presente do que nunca o fato de que o mundo peculiar é algo imenso, complexo e inexplorado. Um mundo mágico, algo que remete quase a Nárnia. Mas para mim faltou muito desenvolvimento nesse quesito. Como leitora eu senti que as informações foram jogadas, sem explicações ou aprofundamento e não consegui sentir esse mundo de forma tangível, ele não me parece real. Isso me entristeceu bastante porque é um potencial enorme que não foi explorado.

Em último lugar estão as fotos. Na leitura deste livro eu não senti tanto entrosamento das imagens com o texto (que estão em bem menos quantidade do que no primeiro livro). As fotos simplesmente estão lá. Pareceu que elas não se conectam bem com as descrições e não sei simplesmente não teve o mesmo brilho do primeiro livro.

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No geral Cidade dos Etéreos (parabéns por essa tradução aliás, ficou excelente) não é um livro ruim, é um livro com problemas. É com toda certeza um livro que poderia ter sido mais. Ransom Riggs teve uma ideia excelente, mas não conseguiu desenvolve-la da melhor maneira. Espero que o terceiro e último volume da série seja bem diferente do segundo e tenha um final solene para a série dos syndrigasti. Cidade dos Etéreos é um três estrelas.

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5 comentários sobre “Cidade dos Etéreos – Ransom Riggs

  1. Olá! Eu adorei a sinceridade da resenha, ficou ótima! Faz algum tempo que eu estou querendo ler os livros, mas tenho uma dúvida: qual a sequência? Pelo que entendi, é uma trilogia, né? Aí eu fiquei pensando, se eu comprar, preciso saber qual é o primeiro, segundo e terceiro. Me ajuda, ahaha. Beijos!

  2. Também tive a impressão de que nada acontece e que o mundo peculiar tem muito a oferecer, porém o autor parece não conseguir introduzir isso na história.
    Quantos as fotos, ele diz que deixou de usá-las como ilustração mesmo. O resultado ficou estranho, em minha opinião.
    Dê uma olhada em minha resenha.
    xoxo

    • Que bom saber que não sou a única que pensa assim! Realmente me parece que o mundo peculiar tem muito a dizer, mas o autor não conseguiu colocar isso na história. xoxo

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