Confesso que essa resenha está pra lá de atrasada (assim como algumas outras) já que terminei de ler Lírio Azul, Azul Lírio na metade e Junho, mas antes tarde do que nunca. Parte da minha demora, além da correria básica graças ao segundo ano de faculdade, se deu por dois motivos, o primeiro foi que tive dificuldade em escrever sobre este livro já que gostei bastante e que ao terminá-lo fiquei ainda mais próxima do final da saga. O segundo motivo é que passei por um recente período de “ressaca de resenhas”, não consegui escrever muita coisa nesses últimos meses, apesar de ter lido muito. Enfim, vamos a resenha (como esse é o terceiro livro da série há spoilers dos volumes anteriores).

Às vezes Gansey esquecia como gostava da escola e como era bom naquilo. Mas ele não conseguia esquecer em manhãs como aquela – o nevoeiro de outono subindo dos campos e erguendo-se à frente das montanhas, o Pig rodando tranquilo e ruidoso, Ronan saindo do banco de passageiro e dando batidinhas com os nós dos dedos no teto, com os dentes reluzindo à mostra, a grama úmida molhando ligeiramente as pontas negras dos seus sapatos, a bolsa jogada sobre seu blazer, Adam de olhar atento tocando punhos qunado eles se encontravam na calçada, garotos à volta deles rindo e chamando uns aos outros, abrindo espaço para os três, pois essa era uma rotina antiga: Gansey-Lynch-Parrish. Manhãs como aquela eram algo para se guardar para sempre.

Uma das coisas que gostei imensamente neste livro foi que apesar de se tratar do terceiro livro da série, aquele que está bem no “meio” da história, a narrativa de Lírio Azul, Azul Lírio não dá aquela pausa comum que geralmente os livros intermediários dão e isso é muito bom. O livro foca bastante nos relacionamentos dos personagens entre si como Gansey x Blue, Ronan x Adam e também (e talvez primariamente) no relacionamento de Blue com sua mãe, Maura, já que esta desapareceu no final de Ladrões de Sonhos. A presença feminina é bem forte neste livro da saga, abordando também o relacionamento de Blue com as outras médiuns moradoras da Rua Fox 300 e também o peculiar e engenhoso relacionamento de Adam e Persephone.

Em partes Lírio Azul, Azul Lírio é bem confuso. Para mim a palavra que talvez o descreva melhor é desenvolvimento, porque é exatamente o propósito (muito bem cumprido) que ele tem. Não sei quantas vezes me impressionou o fato de tanta coisa acontecer na história, afinal como eu disse acima o common sense me fez esperar que fosse ser mais um livro enrolado.

Gansey pensou como era estranho conhecer aqueles dois rapazes tão bem e, no entanto, não conhecê-los de verdade. Ambos tão mais difíceis e tão melhores do que quando os conhecera pela primeira vez. Teria sido isso que a vida fizera com todos eles? Esculpira-os em versões mais duras, mais verdadeiras de si mesmos?

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Me faltam palavras para descrever o quanto amei o relacionamento de Gansey x Blue e Adam e Ronan nesse livro. Há inúmeras cenas das duas duplas sozinhos, em diversas situações adoráveis e de tirar o fôlego, tornando completamente impossível não shippar esses casais maravilhosos e bem construídos. Chega a dar um aperto no coração o tanto que eu amo esses personagens e como me sinto bem e em casa quando estou com eles. É magnífico o poder que a escrita de Maggie têm, de ser capaz de trazer o leitor tão para dentro da história, deixando-o tão intrínseco com a narrativa que ele pensa que aquela vida nas páginas é a dele.

O que era um beijo sem um beijo?

Era uma toalha puxada em uma mesa para festa. Tudo misturado com todo o resto em apenas alguns momentos caóticos. Dedos nos cabelos, mãos segurando nucas, bocas roçando rostos e queixos em perigosa proximidade.

Eles pararam, o nariz de um amassado contra o outro daquela maneira estranha que a proximidade exige. Blue podia sentir a respiração de Gansey em sua boca.

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Outro ponto executado com maestria pela autora é que ao mesmo tempo que ela desenvolve os relacionamentos dos personagens ela consegue focar em suas próprias jornadas pessoais. Cada um está em um caminho, Blue tentando descobrir quem ela é realmente, Adam recuperando-se de seu trauma recente e Gansey por sua vez sucumbindo aos seus próprios medos. Mas e o Ronan? Depois do enorme foco que recebeu no segundo livro, Ronan não tem capítulos neste livro, o que não diminui sua importância na história. Neste livro acompanhamos os pontos de vista dos outros personagens com relação a mudança de Ronan e suas novas formas de agir.

Como um bom antepenúltimo livro Lírio Azul, Azul Lírio deixa perguntas sem respostas e um cliffhanger imenso no epílogo, e sua construção crescente e complexa só faz aumentar a curiosidade do leitor para saber o tão aguardado final da saga. Honestamente depois de três livros não sei o que esperar de The Raven King (O Rei Corvo) já que Maggie Stiefvater sempre encontra um jeito de me surpreender. Estou apreensiva e ansiosa pelo desfecho e sei que quando por fim está saga maravilhosa e uma das minhas favoritíssimas terminar tudo que irá restar será saudade.

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2 comentários sobre “Lírio Azul, Azul Lírio – Maggie Stiefvater

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