Para mim o epílogo de “As Relíquias da Morte” foi um pouco estranho. Eu particularmente não gostei muito de ver os personagens mais velhos levando seus filhos para Hogwarts. Quando descobri sobre a publicação de Cursed Child eu não gostei da notícia. Eu não queria outro livro de Harry Potter. Quando soube que ia ser o roteiro de uma peça fiquei menos empolgada ainda. Parecia que todos estavam em uma super festa de contagem regressiva para o dia do lançamento e eu estava em algum outro lugar fazendo outra coisa.

Mas então na noite anterior a publicação do livro algo aconteceu. Comecei a acompanhar pela internet as pessoas indo para livrarias afim de comprar o livro à meia noite e toda a aura de magia que se espalhava ao redor do mundo. Fui dormir e para meu próprio espanto eis que no sonho eu mesma estava lá: comprando o livro. Não deu outra, no dia seguinte fui até a livraria e comprei uma cópia, em inglês mesmo já que o livro não foi traduzido por aqui ainda, e comecei a ler imediatamente.

A primeira coisa a se fazer antes de ler Cursed Child é ter a mente aberta e entender que ele é muito diferente de todos os livros anteriores da saga. É necessário se colocar no papel de leitor modelo (como diria Umberto Eco) e observar os seguintes fatos antes da leitura do livro: em primeiro lugar é o roteiro de uma peça, não um romance. Portanto há diferenças obvias já que um roteiro é composto basicamente de falas e não possuí aquela densidade dos romances, então essa diferença no formato pode ser um problema para muitas pessoas na hora de ler. No meu caso não foi, eu acabei gostando muito e ainda vou mais longe dizendo que a história não funcionaria se fosse um romance. É uma história “mais simples” e não acredito que teria aquela sustância necessária para um bom romance. A segunda coisa, e está é de vital importância, é entender que o livro não foi escrito pela J.K. Rowling. Isso está escrito na capa e também nas páginas finais onde há informações sobre a peça. J.K. junto com  John Tiffany e Jack Thorne se juntaram para criar a história original que se desenrola na peça, mas a parte da escrita é por conta de Jack Thorne que é roteirista de textos dramáticos e inclusive já ganhou alguns prêmios. Portanto estejam cientes de que ao pegar Cursed Child para ler não será a escrita de Rowling no papel e sim a de Thorne, que devo dizer gostei muito.

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A terceira coisa é saber que além dos dois fatos citados acima há mais um que difere este de tudo que já foi publicado de Harry Potter. O desenrolar das coisas é um pouco mais cru, já que na peça a atuação dos atores complementa o texto, mas como a maioria das pessoas vai apenas lê-lo pode haver certo estranhamento. Além disso o livro começa exatamente no prólogo de “Relíquias da Morte” e avança a partir daí, focando então não somente nos personagens que já conhecemos (Harry, Hermione, Ron, Draco etc.), mas também na nova geração: os filhos deles. O meu primeiro contato com o livro foi fácil, eu não esperava muito dele (e talvez também esperasse o pior) e acabei me surpreendendo positivamente.

O fato é que Cursed Child parece muito uma fanfiction, aquelas histórias criadas por fãs e para fãs que circulam na internet e existem basicamente sobre qualquer assunto. Eu não achei essa semelhança uma coisa ruim, pelo contrário, foi divertido ler e saber que aquilo tudo agora é canon (ou seja é real, oficial, enfim têm o selo de aprovação da J.K.).

A partir de agora vou entrar em mais detalhes sobre a história então haverão spoilers. Infelizmente não vou conseguir falar tudo que quero sem eles então estejam avisados.

AVISO DE SPOILERS, CUIDADO!!

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O livro começa, como eu disse acima, exatamente no epílogo de “Relíquias da Morte”. Alvo Severo está indo para seu primeiro ano em Hogwarts e expressa seus temores acerca de ser colocado na Sonserina. E sim, ele vai para Sonserina, e o mais surpreendente é que seu melhor amigo acaba sendo ninguém menos do que Scorpius Malfoy, o filho de Draco. A amizade dos dois é incrível e em muitos momentos comecei a ver os dois mais como um casal e foi impossível não shippar. Albuscorpius (não sei se esse é o nome mas gostei da combinação) é muito lindo.

O livro acaba avançando um pouco mais e o desenrolar da história se dá mesmo durante o quarto ano dos meninos, ou seja 22 anos depois na verdade e não mais 19. O que acontece é o seguinte: Alvo escuta Amos Diggory pedindo para Harry tentar salvar seu filho Cedrico com a ajuda de um possível Vira-Tempo que parece ter sido encontrado, isto porque todos os Vira-Tempos foram destruídos pelo Ministério alguns anos antes. Harry recusa e diz que não pode fazer nada, mas é aí que Alvo vê uma oportunidade para tentar reparar um dos erros que seu pai cometeu. Parte disso porque ele e Harry têm um relacionamento muito complicado. Alvo é (risos) alvo de muita pressão pelo fato de ser filho de Harry Potter e ainda mais, um Potter na Sonserina? Amigo de um Malfoy? Ele basicamente é um pária social em Hogwarts e não tem metade do amor que o pai tinha pela escola. Gostei muito de ver esse relacionamento conturbado e problemático entre pai e filho. É legal que a essência do personagem (Harry) continua a mesma, depois de todos esses anos ele ainda tem seus defeitos. O relacionamento entre Draco e Scorpius também é muito bom, os dois também tem dificuldades, mas porque são muito distantes um do outro. Harry e Draco por sua vez também tem algumas cenas ótimas juntos. Gostei bastante de vários diálogos da peça e vários momentos me fizeram chorar.

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Enfim voltando a plot principal, sim o livro têm a temática de viagem no tempo. Muita coisa boa veio disso (tô me segurando aqui pra não falar mais!), mas também algumas falhas ocorreram. Há algumas explicações que pecaram um pouco e não convencem e uns pequenos absurdos também, mas eu escolhi relevar isso, afinal nos outros livros anteriores também houveram falhas, porém eu preferi não pesar tanto isso na minha opinião sobre o livro porque teve muita coisa boa, vários momentos incríveis e aparições inesperadas e só pelo fato de ser uma nova história de Harry Potter que no geral eu gostei muito eu não me foquei muito nas partes ruins.

É claro que sempre dá aquele gostinho de quero mais, de que poderia ter tido mais, mas como eu disse lá em cima: não comporta. Têm que ler e pensar que isso é uma peça real que está sendo encenada em um teatro de Londres agora. Eles não tem estrutura, elenco, nem dinheiro suficiente pra fazer tudo acontecer, entenda-se por fazer todo mundo aparecer, afinal Harry Potter tem muitos personagens e nesse enredo que nos foi apresentado coube um tanto de personagens, mas não todos e está tudo bem.

Gostei muito do Harry conversando com o quadro do Dumbledore e o confrontando-o após todos esses anos sobre como a forma que o Dumbledore escolhia para protegê-lo era deixá-lo no escuro e sem saber das coisas. Há um foco muito grande no Harry nesse sentido emocional durante a peça, vemos um lado dele que tem assuntos não resolvidos em vários aspectos, por exemplo como o seu crescimento nos anos que passou com os Dursley afetou-o muito mais do que aparentava. Além disso há uma cena realmente linda no final que uau, me deixou sem palavras. Houve um grande crescimento para o Harry durante essa história.

Ah, Hermione é a Ministra da Magia. Sim!! Nunca fiquei tão feliz quanto com uma notícia dessas.

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Enfim, Cursed Child foi publicado há menos de uma semana e já é um livro super polêmico que está causando uma grande divergência de opiniões entre os fãs da saga. Foi incrível voltar para Hogwarts e rever meus personagens favoritos depois de tanto tempo, mas agora têm que ser o fim mesmo, sem mais nenhum outro livro/roteiro. A única coisa que eu realmente queria é um livro sobre os Marotos, mas vamos ver…..

A minha classificação inicial era de quatro estrelas, mas resolvi dar uma estrela inteira só pro Scorpius porque ele é maravilhoso. Então cinco estrelas no total. Eu adorei Cursed Child e vou protegê-lo.

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