Há mais tempo do que consigo lembrar as pessoas me falam para ler O Diário de Anne Frank. Sempre tive curiosidade e vontade de ler só foi aumentando durante os anos, até que finalmente o li. Esse livro me impactou muito, tanto que só consegui escrever essa resenha um mês depois de ter terminado a leitura. Um dos meus assuntos preferidos em livros é a Segunda Guerra Mundial e só neste ano já tenho três favoritos que falam disso, Toda Luz Que Não Podemos Ver, O Rouxinol e agora O Diário de Anne Frank.

Espero poder contar tudo a você, como nunca pude contar a ninguém, e espero que você seja uma grande fonte de conforto e ajuda.

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Durante o período de 12 de junho de 1942 a 1° de agosto de 1944, Anne Frank escreveu um diário. Em um primeiro momento escrevia-o para si, mas depois de uma transmissão de Gerrit Bolkestein em 1944, dizendo que depois da guerra ele esperava recolher testemunhos oculares do sofrimento do povo holandês para que estes pudessem ser postos à disposição do público, Anne decidiu que publicaria um livro a partir de seu diário. Anne começa a escrever em seu diário no dia de seu aniversário de treze anos e continuaria relatando aí seus pensamentos mais íntimos até os seus quinze anos.

Quem mais, além de mim, vai ler estas cartas? Com quem mais, além de mim, posso procurar conforto? Estou sempre precisando de consolo, costumo me sentir fraca e com frequência deixo de atender às minhas expectativas. Sei disso, e todos os dias resolvo ser melhor.

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As vezes me pergunto se alguém algum dia entenderá o que estou dizendo, se alguém deixaria de lado a minha ingratidão e não se importaria se sou judia, e apenas me visse como uma adolescente que precisa de uma simples diversão.

A escrita de Anne é muito simples, com um tom bem informal onde a garota não apenas relata os eventos corriqueiros ou a vida no Anexo Secreto, local em que ela, Edith e Otto os pais de Anne, Margot a irmã dela, o Sr. a e Sra. Van Daan e seu filho Peter e mais tarde o Sr. Dussel, passariam a morar por dois anos. O esconderijo ficava no prédio do escritório do pai de Anne e o acesso para os cômodos escondidos se dava por uma passagem atrás de uma estante. Além disso é indispensável mencionar a ajuda que foi dada aos habitantes do Anexo por parte do Sr. Kugler, o dono do escritório, e dos funcionários que trabalhavam lá, Bep, Miep e o Sr. Kleiman. É impossível não se preocupar com a segurança dos habitantes do Anexo durante a leitura. Prendi a respiração nos momentos em que parecia que eles poderiam ser descobertos, e que portanto para evitar isso tinham que permanecer no mais absoluto silêncio e imobilidade.

Você pode me dizer por que as pessoas se esforçam tanto para esconder seu eu verdadeiro? Ou por que sempre me comporto de modo muito diferente, quando estou perto dos outros? Por que as pessoas confiam tão pouco umas nas outras?

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Anne era muito determinada, com opiniões fortes e vontade de estar sempre certa. Em geral ela era um belo exemplo de uma adolescente, com a única diferença de que tinha que conviver em um espaço pequeno com pessoas muito mais velhas do que ela e que sempre estavam repreendendo-a ou dizendo como ela deveria ser. Boa parte dos comentários dela relatam brigas, desentendimentos ou frustrações entre ela, a mãe, a Sra. Van Daan ou o Sr. Dussel. Anne escreveu sem reservas sobre o que pensava acerca de todos ali, por vezes mencionando como não sentia empatia alguma pela mãe depois de tantas brigas e como era próxima e afetuosa com o pai.

Sempre que estiver sozinho ou triste, tente ir para o sótão num dia lindo e olhar para fora. Não para as casas e os telhados, mas para o céu. Enquanto puder olhar sem medo para o céu, saberá que é puro por dentro, e encontrará a felicidade outra vez.

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Uma das coisas que achei mais adorável e que me fez sentir feliz por Anne foi quando gradativamente sua indiferença e até mesmo desgosto por Peter van Daan, o filho do casal van Daan, acabou crescendo e se desenvolvendo até se tornar uma paixão. As passagens que relatam essa gradação, bem como os momentos passados entre os dois me fizeram feliz ao mesmo tempo em que derramei lágrimas de preocupação pelos dois. Apesar do destino trágico que Anne viria a ter, gosto de saber que mesmo dentro do Anexo e isolada do resto do mundo ela conseguiu ter suas experiências adolescentes.

“Bem no fundo, os jovens são mais solitários do que os adultos. ” Li isso em algum livro, e ficou na minha mente. Pelo que posso dizer, é verdade.

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Eu estava tão acostumada e tão intrincada na leitura que não sabia como o final do livro iria acontecer e como iria me impactar. A última anotação do diário de Anne é de uma terça-feira, primeiro de agosto de 1944. Ela comenta sobre porque gosta de chamar a si própria de “um feixe de contradições” e então fim. No posfácio ficamos sabendo em detalhes como se deram os acontecimentos seguintes, onde na manhã e quatro e agosto oficiais da SS e da Polícia de Segurança prenderam as oito pessoas que estavam escondidas no Anexo e também o Sr. Kugler e o Sr. Kleiman, mas não levaram Bep e Miep.

Kugler e Kleiman foram levados para uma prisão em Amsterdã. Em virtude dos problemas de saúde o Sr. Kleiman foi solto em 18 de setembro de 1944 e continuou em Amsterdã até sua morte em 1959. O Sr. Kugler conseguiu fugir da prisão em 28 de março de 1945 ele emigrou para o Canadá em 1955 e morreu em Toronto em 1989. Bep, apelido de Elisabeth Voskujil, morreu em Amsterdã em 1983. Miep Gies morreu em 10 de janeiro de 2010.

Depois de serem presos os moradores do Anexo forma levados primeiro para uma prisão em Amsterdã e em 3 de setembro de 1944 foram deportados para então 3 dias mais tarde chegarem em Auschwitz.

Hermann van Pels (van Daan como Anne apelidou em seu livro) morreu na câmara de gás em outubro ou novembro de 1944.

Auguste van Pels (sra. van Daan) foi de Auschwitz para Bergen-Belsen, daí para Buchenwald e depois para Theresienstadt em 9 de abril de 1945 e ao que parece para outro campo de concentração depois disso, mas não se sabe a data de sua morte.

Peter van pels (van Daan) foi obrigado a participar da marcha da morte em 16 de janeiro de 1945 de Auschwitz até Mauthausen (Áustria) onde morreu em 5 de maio de 1945, três dias antes de o campo ser libertado.

Fritz Pfeffer (apelidado por Anne de Albert Dussel) morreu em 20 de dezembro de 1944 no campo de concentração de Neuengamme.

Edith Frank morreu em Auschwitz-Birkenau em 6 de janeiro de 1945, de fome e exaustão.

Margot e Anne foram transportadas de Auschwitz no fim de outubro para Bergen-Belsen. A epidemia de tifo que irrompeu no inverno de 1944-1945 matou milhares de prisioneiros incluindo Margot e uns dias depois Anne. Ela deve ter morrido no fim de fevereiro ou início de março. Os corpos provavelmente foram enterrados em valas comuns em Bergen-Belsen. O campo foi libertado por tropas inglesas em 12 abril de 1945.

Otto Frank foi o único dos oito a sobreviver aos campos de concentração. Otto foi o responsável por publicar o diário da filha, e até sua morte em 19 de agosto de 1980 ele se dedicou a divulgar a mensagem do diário às pessoas do mundo inteiro.

Essa leitura foi extremamente impactante e importante para mim. Terminei o livro aos prantos, dilacerada em perceber mais uma vez o tamanho da crueldade humana. Triste por saber que Anne Frank, uma adolescente cheia de sonhos, com vontade de ser escritora, com uma vida toda pela frente, morreu tão sofridamente aos quinze anos. Triste por saber que ela não foi a única, mas sim uma dos milhões que morreram nos campos.

O Diário de Anne Frank é uma leitura essencial e indispensável para qualquer pessoa. É um livro poderoso, com uma narradora incrível e uma mensagem tocante. Um favorito para a vida toda. Nunca vou esquecer Anne, minha mais nova amiga, cuja memória viverá para sempre.

Não quero que a minha vida tenha passado em vão, como a da maioria das pessoas. Quero ser útil ou trazer alegria a todas as pessoas, mesmo àquelas que jamais conheci. Quero continuar vivendo depois da morte!

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4 comentários sobre “O Diário de Anne Frank

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