Ladrões de Sonhos é o segundo volume da Saga dos Corvos. Você pode ler a resenha do primeiro livro clicando aqui e esta resenha contém spoilers. 

Recapitulando, em Os Garotos Corvos tudo estava começando, os cinco amigos se conheceram e suas respectivas personalidades nos foram apresentadas, Cabeswater, a floresta mística da linha ley foi encontrada, foi descoberta a verdadeira natureza de Noah ou seja que ele na verdade está morto e sua energia vem diretamente da linha ley, e Adam fez seu sacrifício no fim, oferecendo-se para ser as mãos e olhos de Cabeswater no mundo real. Tudo isso parece um tanto confuso colocado dessa forma, mas garanto que não é.

Um segredo é uma coisa estranha.

Há três tipos de segredos. Um é do tipo que todo mundo conhece, do tipo que precisa de pelo menos duas pessoas. Uma para guardá-lo. Outra para nunca sabê-lo. O segundo é um tipo mais difícil de segredo: aquele que você esconde de si mesmo. Todos os dias, milhares de confissões não são feitas a seus potenciais confessores, e nenhuma dessas pessoas sabe que todos os seus segredos jamais admitidos se resumem às mesmas três palavras: Estou com medo. 

E então há um terceiro tipo de segredo, do tipo mais escondido. Um segredo que ninguém sabe a respeito. Talvez ele tenha sido conhecido um dia, mas foi levado para o túmulo. Ou talvez seja um mistério inútil, oculto e solitário, perdido porque ninguém o procurou.

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Pois bem, mais uma vez temos a incrível e arrebatadora habilidade da Maggie de desenvolver personagens. Em Ladrões de Sonhos os personagens são tão complexos e crescem e aprendem tanto quanto no volume anterior, talvez até mais. É muito importante para a história, e também maravilhoso de ler, esse cuidado e preocupação com as personagens, suas emoções internas e relações interpessoais.

– Enquanto eu estiver fora – disse Gansey, fazendo uma pausa -, sonhe o mundo para mim. Algo novo a cada noite.

A linha ley está enfraquecida, o que causa alguns efeitos colaterais tais como o sumiço de Cabeswater e os constantes desaparecimentos de Noah, afinal ele só se mantém graças a energia da linha, que agora está inconstante. Apesar de pouca presença na história, Noah continua maravilhoso, ele, juntamente com Blue, protagoniza uma das melhores cenas do livro.

Naquele momento, Blue estava um pouco apaixonada por todos eles. Pela magia deles. Pela busca deles. Pela voracidade e pela estranheza deles. Seus garotos corvos.

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A adorável e feminista Blue por sua vez continua preocupada com seus garotos corvos. Ao mesmo tempo em que ela faz parte do grupo ela se sente completamente distante dos garotos, desejando mais do que tudo entende-los. Ela também não apareceu tanto quanto no primeiro livro, mas teve cenas cruciais para o desenvolvimento da trama. Seu relacionamento com Gansey, o adorável, responsável e bonito Gansey (suspiro),  anda mais complicado do que nunca, afinal é impossível negar a química entre os dois, mas além de que Blue não pode beijá-lo, já que isso pode colocar em risco a vida do garoto, há também o relacionamento dela com Adam, os dois tiveram alguns momentos fofos no primeiro livro, mas as coisas andam meio estranhas entre os dois. Na verdade as coisas andam meio estranhas entre Adam e todos do grupo. Aparentemente fazer um ritual em uma floresta mística e remota mexe um pouco com a sua cabeça.

Adam tem bastante foco neste livro, eu poderia descrevê-lo como o mais perturbado da história, se não fosse pelo Ronan. Adam precisa entender qual o significado da escolha que fez no fim do livro anterior. Ele precisa entender o que ele se tornou, e ao mesmo tempo tentar não perder a cabeça. Conseguimos compreender um pouco mais das camadas que Adam guarda para si e não mostra para mais ninguém.

E então temos Ronan. O badboy de língua afiada, a cobra, jorrando veneno a cada palavra, mas acima de tudo: o sonhador. No fim (exatamente na última página!) do primeiro livro fazemos uma descoberta bombástica: Ronan é capaz de tirar objetos de seus sonhos. A maior parte foco deste segundo livro é nele e em sua habilidade peculiar. Isso é ao mesmo tempo algo incrível e algo que também se torna perturbador, especialmente quando seus pesadelos também podem vir para a realidade. Também conhecemos mais da família de Ronan, em especial de seu pai, de quem ele herdou essa habilidade curiosa.

Ronan Lynch vivia com toda sorte de segredos.

Seu primeiro segredo era ele mesmo. Ele era irmão de um mentiroso e irmão de um anjo, filho de um sonho e filho de um sonhador.

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Maggie desenvolve a trama de uma forma magistral, a leitura flui e não é possível largar o livro e no fim ainda fiquei pedindo por mais. O desenvolvimento dos personagens nesse volume não apenas foi enorme, mas também trouxe um tom mais sinistro para cada um dos personagens.

Devorei o livro e amei cada parte dele. Não sei se quotes ainda podem ser considerados quotes quando toda a página está destacada. A escrita de Maggie é poética e sombria, os personagens se abrem para o leitor em meio a suas palavras e podemos vislumbrar as partes mais ocultas e distantes de suas almas. Gosto tanto de todos os personagens que não consigo escolher apenas um como preferido. Não sei bem como descrever meu amor por esse livro pois ele é sem tamanho. A Saga dos Corvos se tornou uma das minhas favoritas pra vida toda.

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