Garota, Interrompida é o livro que inspirou o filme de sucesso estrelado por Angelina Jolie e Winona Ryder. É uma autobiografia onde Susanna Kaysen conta sobre o período em que esteve no hospital psiquiátrico McLean quando tinha apenas 18 anos.

É uma leitura rápida, pois além de ter apenas 190 páginas a escrita de Susanna é muito leve mesmo se tratando de um tema tão pesado, mas apesar disso é um livro extremamente reflexivo. A começar pelas razões pelas quais supostamente Susanna deveria ir para um hospital psiquiátrico. A garota gostava de namorar, não fazia as tarefas propostas pelos professores, tinha uma mania estranha de bater os pulsos, sofria de espinhas e a gota d’água: ela tentou se matar tomando uma dose enorme de aspirinas. Afinal estes são os indicativos de uma mulher louca ou de uma jovem de dezoito anos aflita, confusa e com questionamentos próprios de sua idade? E aqui entramos em uma das questões mais importantes abordadas pelo livro, o que é ser louca?

O suicídio é uma forma de assassinato – assassinato premeditado. Não é algo que se faz da primeira vez que se pensa em fazer. A gente precisa se acostumar com a ideia. E precisa dos meios, da oportunidade, do motivo. Um suicídio bem-sucedido exige uma boa organização e cabeça fria, coisas geralmente incompatíveis com o estado de espírito de quem quer se suicidar. (…) Na verdade, eu só queria matar uma parte de mim: a parte que queria se matar, que me arrastava para o dilema do suicídio e transformava cada janela, cada utensílio de cozinha e cada estação de metrô no ensaio de uma tragédia.

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Apesar disso a garota é internada com o pretexto de “ter um lugar para descansar” e com a promessa de que “será apenas por algumas semanas” pois bem, Susanna Kaysen ficou internada por dois anos no hospital psiquiátrico afim de curar sua insanidade mental.

Os capítulos são curtos e relatam tanto momentos em que Susanna passou dentro da clínica quanto acontecimentos que ocorreram antes de ela ser internada, mostrando ao leitor como era sua vida antes e como ela foi durante o período em que esteve no hospital. Ela nos apresenta a rotina que tinha no hospital, as amigas que fez por lá (inclusive Lisa a personagem interpretada por Angelina no filme), e tantos outros acontecimentos importantes e coisas que viu enquanto estava internada e que a fizeram refletir e aprender muito.

Esse é um daqueles livros que apesar de curtos trazem uma história incrível e muito bem contada e por conta disso ganham uma adaptação cinematográfica, que em minha opinião é o tipo de adaptação que é um verdadeiro presente para o autor do livro e sua obra. Isso porque o filme condensa e narra a história de Susanna de uma maneira incrível, inclusive nos mostrando as coisas de forma mais detalhada em certos momentos, é um filme que mantém a essência do livro mas que também a completa. Fico feliz em dizer que gostei muito dos dois e acredito que seja válida a experiência de tanto ver o filme quanto ler o livro.

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Na parte final do livro Susanna fala sobre o seu diagnóstico, este que ela só teve acesso 25 anos depois de ter tido alta do hospital McLean. Ela recorda que durante a internação tudo que lhe foi dito foi que ela tinha um “transtorno de personalidade” e nada além disso lhe foi explicado com clareza. Após esmiuçar o diagnóstico, que informava que ela tinha um “transtorno de personalidade limítrofe”, com vocabulário médico afim de dissertar sobre o cérebro e suas peculiaridades ela enfim parte para seus comentários pessoais acerca dele. E é simplesmente incrível. Neste momento há várias pérolas ditas pela autora, como por exemplo “com quantas garotas um rapaz de 17 anos teria que dormir para ser rotulado de promíscuo? E quantos deles seriam internados por causa disso?” E também “Freud e seus seguidores acreditavam que todas as pessoas fossem histéricas; depois, nos anos 1950, elas passaram a ser psiconeuróticas; hoje em dia, todo mundo tem personalidade limítrofe”. São questionamentos, e também críticas discutidas pela autora que nos levam a questionar o que realmente é loucura e também nos fazem acreditar que somos tão loucos quanto ela.

É um livro muito bom, para ser relido várias vezes. Uma leitura que nos faz pensar. Fiquei feliz em ter lido e me senti muito próxima de Susanna ao terminar, como se a leitura tivesse sido uma conversa entre nós duas. Uma coisa que adorei foi que no finzinho do livro a autora explica o título, que veio de uma pintura de Vermeer chamada Garota interrompida em sua música, e que essa pintura fez Susanna pensar em todos os momentos em que temos nossas vidas interrompidas, seja por escolhas que fazemos ou coisas que acontecem conosco. Um cinco estrelas. Ah, e obrigada Gi por ter me emprestado o livro! ♥

Dessa vez, li o título da pintura: Garota interrompida em sua música.

Interrompida em sua música: tal qual acontecera com a minha vida, interrompida durante a música dos 17 anos tal qual a vida dela, roubada e presa a uma tela ; um momento congelado no tempo mais importante que todos os outros momentos, quaisquer que fossem ou que viessem a ser. Quem pode se recuperar disso?

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Essa é a pintura! ♥

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4 comentários sobre “Garota, Interrompida – Susanna Kaysen

  1. Poxa, esse livro estava na minha lista (mas eu tenho tantas, que acabo me confundindo). Parece muito interessante… também assisti o filme (há um tempão) e fiquei bem incomodada, meio sem chão.

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