No segundo volume da saga de fantasia épica de George R.R. Martin a situação em Westeros está cada vez mais complicada. Essa resenha contém spoilers do primeiro livro.

Após a morte de Robert Baratheon o frágil equilíbrio que regia o reino foi abalado, e a inesperada e cruel execução de Ned Stark apenas adicionou mais lenha na fogueira. Agora por todo lado começam a surgir auto proclamados reis. Joffrey Baratheon é dito como Rei legítimo, mas muitos duvidam de sua paternidade, inclusive Stannis Baratheon que afirma que o garoto é fruto de um incesto entre Cersei Lannister e seu irmão Jaime, portanto Stannis se proclama Rei e também converte-se a uma estranha religião oriental. Ao mesmo tempo o outro irmão do falecido Robert, Renly Baratheon também se denomina Rei. Robb Stark se intitula Rei do Norte e longe no outro lado do mar Daenerys Targaryen se proclama a herdeira legítima do Trono de Ferro.

Cersei fungou:

– Eu devia ter nascido homem. Não teria necessidade de nenhum de vocês. Não permitiria que nada disso acontecesse.

É neste cenário de confusão política que temos o panorama de A Fúria dos Reis. Ano passado li o primeiro livro da saga, A Guerra dos Tronos e gostei muito. No segundo volume temos narrações de Bran Stark, Catelyn Stark, Daenerys Targaryen, Jon Snow, Arya Stark, Sansa Stark, Tyrion Lannister, Theon Greyjoy e Davos Seaworth. As narrações que mais gostei foram as de Bran, Jon e Arya. Como sempre os capítulos sempre terminam em momentos marcantes e a curiosidade para saber o que irá acontecer em seguida é enorme o que faz a leitura fluir bastante. Apesar de que durante o meio do livro empaquei um pouco na leitura, a parte do miolo foi um pouquinho arrastada, mas o final embalou de tal forma que no final a leitura foi mais do que satisfatória, inclusive estou morrendo de vontade de ler o terceiro livro o mais rápido possível.

Ainda não derramaram sangue, Catelyn refletiu. Para eles isso ainda é um jogo, um torneio com um grande cenário, e tudo o que veem é uma possibilidade de glória, honra e despojos. São rapazes bêbados de canções e histórias e , como todos  os rapazes, julgam-se imortais.

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Bran é agora o Stark responsável por Winterfell, depois que Robb marchou para o Sul em direção a guerra. Ele tem muitas responsabilidades sérias e até mesmo entediantes para um garoto de apenas oito anos e além disso tem que aprender a conviver com sua nova condição de ser incapaz de andar. Em uma das noites de banquetes no castelo Bran é apresentado a Jojen e Meera Reed, dois irmãos que serão amigos muito importantes para Bran, que só agora está começando a entender mais o que ele é e o que é capaz de fazer.

Catelyn está junto de Robb e mais apreensiva e preocupada do que nunca, afinal o jovem Rei lobo tem apenas quinze anos, suas filhas estão a quilômetros de distância rodeadas de pessoas não confiáveis e os filhos mais novos ficaram para trás em Winterfell. As narrações de Cat são boas e ela passa por vários lugares durante a história, nos mostrando um pouco do que acontece nos acampamentos de Renly e Stannis.

Daenerys tem pouquíssimos capítulos nesse livro, são apenas cinco. Depois da morte de Khal Drogo e de ser abandonada no deserto, Dany se encontra em maus lençóis. Mas, pelo menos ela tem os bens mais preciosos da terra, seus três dragões, Drogon, Viserion e Rhaegal.

Jon Snow se aventura ao Norte da muralha junto da Patrulha da Noite, cada vez mais próximo de onde está o território do Selvagens. Seus capítulos são ótimos e é incrível notar como os problemas estão sérios no Norte, e com as pessoas ao Sul (todos os quatro “reis” do território) estão ignorando-os completamente.

Este vasto mundo está cheio de pessoas que querem ajuda, Jon. Seria bom que algumas delas encontrassem coragem para se ajudar a si próprias.

Arya conseguiu fugir de Porto Real no dia da execução de seu pai. Isso é bom porque ela está livre das garras dos Lannister, mas ao mesmo tempo ninguém sabe onde ela está então logo começam a presumir sua morte. Ela embarca com um grupo de bandidos que ruma para a Muralha, mas o caminho é longo e a estrada não é segura e a pequena Arya de apenas dez anos se prova muito hábil em meio a tanto caos. Valar Morghulis, Arya. 

Sansa e Tyrion estão em Porto Real. Sansa é refém dos Lannister e mais especificamente é o brinquedinho do cruel e sádico Rei Joffrey. Fiquei com muita pena dela, mas suas narrações me irritaram (não gosto muito da Sansa). Tyrion por sua vez está tentando manter as coisas em ordem, fazendo várias manobras politicas arriscadas porém perspicazes. Nesse livro achei as narrações dele bem mais cansativas do que no primeiro e espero que isso mude no próximo livro.

Theon Greyjoy começa o livro ao lado de Robb Stark, mas os dois tem de se separar em um momento e após isso nada mais será o mesmo, ah e amei a irmã de Theon, Asha. Sor Davos nos mostra um pouco mais de perto como são as coisas para Stannis e também um pouco de como funciona a misteriosa religião da Sacerdotisa Vermelha.

É incrivelmente difícil resenhar livros desta saga porque são inúmeros detalhes e acontecimentos e infelizmente não posso falar tudo. Mas garanto que há várias reviravoltas boas em A Fúria dos Reis e mesmo se você, assim como eu, já assistiu a série, vale muito a pena conferir o livro. Aliás notei alguns, pequenos, acontecimentos que são diferentes no livro e gostei de ter esse comparativo. O segundo volume de As Crônicas de Gelo e Fogo é um sólido quatro estrelas.

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