Eu não estou mais no Facebook. Eu saí. Deletei. Excluí. Me libertei.

Há bastante tempo, mais do que eu gostaria de admitir, tenho guardado uma enorme insatisfação com essa rede social. Isso é originado por vários motivos. Há as coisas “básicas” como a constante enxurrada de anúncios com os quais somos bombardeados diariamente, inclusive os anúncios “personalizados” que aparecem com base nas coisas que você pesquisa, o que me fazem imaginar que estamos vivendo em uma bolha vigiada 24h por dia (Grande Irmão?). E também as políticas de privacidade que são constantemente alteradas, e com as quais você sempre clica em “aceito os termos e condições” mesmo sem nunca ter parado a sua vida para ler uma palavra sequer daquelas letras miúdas. Elas são algo que você não dá atenção, mas que deveria.

Há claro o fator do tempo, aquele que gastamos sejam horas a fio ou apenas alguns minutinhos ali no aplicativo, olhando suavemente as “novidades”. O tempo que perdemos vendo coisas com as quais não deveríamos nos importar. O tempo que passamos observando os momentos diários da vida de outras pessoas, pensando em qual será nossa próxima postagem e pasmem: ninguém quer saber dela.

Chegamos então em um dos fatores mais cruciais: os amigos. Ou como gosto de chamá-los os falsos amigos, porque convenhamos de que ninguém tem dois mil amigos na vida real, eu não tenho os trezentos e quarenta amigos que tinha em meu perfil pessoal (isso depois de uma revisão porque antes a contagem chegava a pouco mais de quinhentos). Qual será a razão para adicionarmos completos estranhos e abrimos as portas para nossa “vida” a eles? Esta “vida” perfeita que todos moldamos em nosso pequeno perfil e a qual nem sempre reflete quem realmente somos. Quero relacionamentos reais, não mensagens inbox que não passam de uma fajuta forma de comunicação.

Eu usei o Facebook por muitos anos, aliás eu já obtive diversão por causa dele, e foi aí também que percebi que era hora de sair: eu estava usando essa rede social apenas para me irritar, vendo coisas que não queria de pessoas que nem conhecia. O que começou como uma forma de contato para alunos da universidade de Harvard se transformou em algo preocupante e monstruoso. Recheado de coisas inúteis que são medidas com um dedo positivo azul, apenas mais um rótulo para a necessidade de aprovação das pessoas. Mas como sempre, há aqueles que sabem criticar e desconstruir as coisas até certo ponto. Foi nesse momento que percebi que não adiantava continuar com minhas incessantes reclamações acerca do site, que isso não ia me levar a lugar nenhum e apenas iria tomar espaço em minha mente. Não havia discussão, era hora de sair.

É esquisito que a coisa da qual mais senti falta nos primeiros dias não foi de ver os posts que apareciam em minha timeline ou me manter “atualizada” com o que os outros estão fazendo, mas sim do ato de fazer o login. Digitar na barra de endereços o tão famigerado url e em seguida o email e a senha. Por que assim que este ato era completado a necessidade de estar ali era suprimida, e em menos de minutos o logout era feito. Não havia mais nada para mim lá.

Parte deste texto é um desabafo, quero ter na memória e nos arquivos do blog exatamente como me senti neste momento: livre. Quero me lembrar dessa sensação poderosa, que é quase como correr na areia em direção ao mar de braços abertos. Em parte é um incentivo, para que você reflita sobre o assunto e se puder faça o mesmo. Se eu puder inspirar mais alguém a fazer o que eu fiz será ótimo. Outra parte é um leve toque de orgulho, pela iniciativa e por ter finalmente feito que queria fazer há muito tempo. E uma quarta parte, extensa e maravilhosa, é de alívio. É legal não saber o que os meus falsos amigos estão fazendo. 1984 nunca mais.

ps. a página do blog no facebook continua, puramente para a divulgação do meu trabalho por lá.

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