O Rouxinol conta a história de duas mulheres durante a Segunda Guerra Mundial.

No amor nós descobrimos quem desejamos ser; na guerra nós descobrimos quem somos.

Vianne e Isabelle Mauriac são irmãs e tem personalidades completamente opostas. Vianne, a mais velha, vive na pequena cidade de Carriveau e despede-se do marido que é convocado para o fronte. Logo os Alemães dominam a frança e a casa de Vianne é requisitada por um oficial. Ela e a filha, Sophie, são forçadas a conviver com o inimigo para poderem sobreviver. Isabelle é uma jovem que com apenas 18 anos sonha em lutar por seu país. Ela entra para a Resistência e sua vida nunca mais será a mesma. As duas irmãs divergem em ideais e circunstâncias, mas ambas fazem de tudo para proteger a quem amam em meio aos horrores da guerra.

-Ah, pelo amor de Deus, Isabelle. Paris foi invadida. Os nazistas estão controlando a cidade. O que uma garota de 18 anos pode fazer a respeito?

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O Rouxinol fez muito sucesso fora do Brasil e logo que o descobri fiquei muito curiosa sobre a história, mas não esperava ser tão arrebatada. Recentemente li outro livro sobre a Segunda Guerra Mundial (e estou amando cada vez mais esse tema), você pode ler a resenha de Toda Luz Que Não Podemos Ver, mas eu garanto que os dois livros não são nada parecidos e nem competem entre si, pelo contrário, cada um é maravilhoso a sua própria maneira e ambos se tornaram favoritos meus.

Os capítulos intercalam as narrações de Vianne e Isabelle o que só faz aumentar a curiosidade durante a leitura, já que é sempre em um momento impactante que o foco narrativo muda, e combinado com a escrita habilidosa de Kristin o livro se torna impossível de largar. Mergulhei fundo na leitura do romance e não me arrependi. No começo gostei mais de Isabelle, de seu jeito impetuoso e de seus sonhos “revolucionários”, e fiquei com um pé atrás com relação a Vianne, mas ao longo da história comecei a me afeiçoar mais a ela e quando terminei o livro senti que era amiga de longa data das duas. Simplesmente amo o fato de o foco ser totalmente nas duas mulheres e na luta e nos sacrifícios que tem que fazer para sobreviver. Mostra um outro lado da Guerra, por vezes esquecido, onde quem faz uma coisa boa nem sempre ganha uma medalha por isso. Mostra que independente de onde estavam e do que fizeram as mulheres também travaram suas batalhas.

Eu tinha me esquecido de como o tempo passa devagar em Paris. Por mais agitada que seja a cidade, há uma tranquilidade no ar, uma paz aconchegante. Em Paris, com uma taça de vinho na mão, é possível simplesmente estar. 

A narração do livro conta ainda com capítulos que se passam em 1995 onde uma das irmãs está relembrando os acontecimentos passados, mas só no último capítulo do livro descobrimos qual das duas irmãs que narra, apenas mais uma coisa para partir o coração do leitor. De fato as últimas cem páginas foram as piores, durante todas as outras eu voei pelas páginas e a leitura me fez sentir inúmeras coisas, mas quando cheguei nesta última parte foi difícil. Foram acontecimentos em cima de acontecimentos e a história ficou pesada, chorei várias vezes e me comovi com as descrições da fome, da dor, do frio e de todo o sofrimento que não apenas as duas irmãs, mas todas as pessoas passaram naquele período.

Por causa deles, agora sei o que é importante, e não é o que eu perdi. São as minhas lembranças. Feridas cicatrizam. O amor perdura.

Nós continuamos.

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Não vou dizer que não há um pouco de romance na história, mas definitivamente não é o foco do livro, é algo muito em segundo plano. Gosto de como a escrita da autora é direta e sem rodeios se tornando por vezes angustiante devido aos acontecimentos que narra, acompanhamos desde o início da Guerra até o seu fim. Adoro como o título tem relação com elementos da obra e também achei a capa maravilhosa.

No silêncio entre eles, ela ouviu um sapo coaxar e a vibração das folhas em uma brisa com aroma de jasmim acima de suas cabeças. Um rouxinol cantou uma música triste e solitária.

Não há dúvidas de que O Rouxinol é um livro excelente, com uma história poderosa e personagens cativantes. É um livro marcante que parte o seu coração de uma forma a princípio imperceptível, mas que logo torna a respiração difícil e as lágrimas correm soltas. É uma história que nos mostra a crueldade, a dor, a perda, mas acima de tudo o amor. Um cinco estrelas. Ah, e sem dúvida irei assistir a adaptação cinematográfica que vem por aí!

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