A Canção de Aquiles é um romance histórico baseado na Ilíada de Homero.

Cite um herói que tenha sido feliz.

Estamos na Grécia, no tempo dos heróis, no tempo dos deuses e no tempo da grande Guerra de Troia. Pelo ponto de vista de Pátroclo somos introduzidos nessa realidade ele é um príncipe príncipe exilado, um garoto franzino que jamais sonharia com toda a grandeza que rodeia o nome de Aquiles, o melhor dos gregos. Mas quando Pátroclo se estabelece no reino de Fítia seu relacionamento com Aquiles toma um novo rumo. O laço entre os dois se aprofunda e preciso dizer que é um dos melhores relacionamentos que já li, é de forma hábil que a autora desdobra os sentimentos viscerais que eles nutrem e logo os dois juntos se torna algo natural que sempre esteve ali.

Como se tivesse me ouvido, ele sorriu. E seu rosto parecia o sol.

Aquiles é filho da deusa Tétis, uma deusa do mar que odeia mortais e em especial Pátroclo. Mas apesar dos protestos da mãe o relacionamento entre os dois se mantém firme e forte. E então corre a notícia de que Helena de Esparta foi raptada e levada para Troia. Os homens da Grécia se organizam para partir em uma longa jornada, muitos ligados por juramentos de sangue, e Aquiles decide se juntar à causa, na esperança de que a profecia de gloria e fama que o rodeia finalmente se torne realidade. O tímido Pátroclo não vê outra saída senão acompanhar seu amado rumo à guerra.

– Sou Aquiles, filho de Peleu, de estirpe divina, o melhor dos gregos. Vim para lhe assegurar a vitória. – Um momento de silêncio e os homens gritaram sua aprovação. O orgulho nos dominava – heróis nunca são modestos.

A primeira parte do livro é simplesmente maravilhosa. O desenrolar do relacionamento entre os dois personagens e o crescimento de ambos é muito gratificante. É diferente ler um livro onde o herói não é o narrador, mas sim o coadjuvante é quem o faz. Vemos tudo pelos olhos cuidadosos e observadores de Pátroclo, portanto toda a admiração e perplexidade que ele sente por Aquiles é passada de forma muito genuína para o leitor. Além disso é interessante ver que o fato de os dois serem tão opostos apenas faz com que eles se completem ainda mais. Há um período em que Aquiles e Pátroclo permanecem em treinamento com o centauro Quíron, um praticando as artes da guerra e o outro praticando medicina. Parece quase como uma pequena vida universitária da época dos gregos e é impossível não suspirar nas passagens em que Pátroclo descreve os raios de sol incidindo sobre os cabelos dourados de Aquiles. Quando a segunda parte do livro começou fiquei um pouco apreensiva, mas a Guerra de Troia demorou a se desenrolar, afinal o cerco durou aproximadamente de dez anos.

Era uma guerra estranha. Não se ganhava território, não se faziam prisioneiros. Lutava-se pela honra, homem contra homem. Com o tempo, estabeleceu-se um padrão: combatíamos civilizadamente sete dias em dez, reservando os outros para festas e funerais.

Como foi grande a duração do conflito essa parte da narrativa é um pouco mais lenta, mas nada que prejudicou a leitura ou o desenvolvimento da narrativa. Ocorrem mudanças importantes nessa fase, pois tanto Aquiles quanto Pátroclo vivenciam em primeira mão os horrores da guerra, Pátroclo ajuda a cuidar dos feridos diariamente e é pior ainda Aquiles que todos os dias mata inúmeras pessoas. Achei ótimo que o livro conta com um grande embasamento histórico, foi uma jornada de dez anos de escrita até que a autora conseguisse terminar o romance.

Alguns acontecimentos do livro já são fatos conhecidos da História. E mesmo já sabendo o que iria acontecer meu coração se partiu um pouco ao ler o desfecho. A palavra que eu usaria para descrever A Canção de Aquiles seria emotivo. Há vários momentos e vários sentimentos diferentes presentes na narrativa. Pode-se dizer que o livro tem um pouco de tudo. É uma obra que reconstitui com maestria os acontecimentos narrados na Ilíada, algo onde o leitor consegue fazer um enlace rápido com os personagens e compreender em detalhes uma história tão complexa e que no fim a narrativa fica presente em nossas mentes mesmo muito depois de ter lido a última página.

Duas sombras se aproximam em meio à treva densa e eterna. Suas mãos se encontram e a luz jorra num dilúvio como se fossem centenas de urnas entornadas do céu.

2016-03-13 15.00.47

Esta edição do livro está maravilhosa e harmoniosa, tornando A Canção de Aquiles um cinco estrelas.

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