Toda Luz Que Não Podemos Ver – Anthony Doerr

Toda Luz Que Não Podemos Ver é um romance de mais de 500 páginas sobre a Segunda Guerra Mundial.  Há algum tempo já que eu queria me dedicar a leitura desse livro, um dos temas que mais gosto de ler é acerca da Segunda Guerra.

O Cérebro obviamente está fechado em escuridão total, crianças. Ele flutua em um líquido claro dentro do crânio, nunca na luz. No entanto, o mundo que constrói na mente é repleto de luz. Ele transborda cores e movimento. Então, crianças, como  o cérebro, que vive sem uma centelha de luz, constrói para nós um mundo tão iluminado?

Logo no começo somos apresentados aos dois personagens principais da trama, Marie-Laure, uma garota francesa e cega e Werner um garoto alemão com grande talento para mecânica. O livro é imenso, mas a divisão de capítulos é simplesmente fantástica. Eles são bem curtos, uma página na maioria, no máximo cinco, então a leitura flui de uma maneira fantástica, ainda mais combinada com a escrita que apesar de ser prosaica carrega a leveza e elementos que remetem ao lirismo e a abstração.

Abram os olhos e vejam o máximo que puderem antes que eles se fechem para sempre.

O livro é divido em partes, treze ao total e mais a parte numerada como zero, e cada uma delas é acompanhada do ano em que se desenrolam os capítulos. A narração é em terceira pessoa, o que não impede de forma alguma o leitor de saber quais são os sentimentos mais profundos das personagens, pelo contrário as narrações de Marie-Laure, que não pode enxergar o mundo ao seu redor, são extremamente críveis e bem elaboradas. A história se inicia em 1934, onde Marie-Laure tem seis anos e Werner tem oito. Ao longo da narrativa vamos acompanhando o crescimento e o desenvolvimento dos dois personagens e os caminhos que eles percorrem em suas vidas. Apesar da leveza que mencionei acima, Toda Luz Que Não Podemos ver é um livro denso e muito tocante, na verdade fiquei tão arrebatada pela leitura que prolonguei a escrita dessa resenha por quase um mês enquanto processava tudo que me foi apresentado nas páginas do romance.

O mar é tudo. Ele cobre sete décimos do globo… O mar é um receptáculo para todas as coisas prodigiosas, sobrenaturais que existem dentro dele. É movimento e amor; é o infinito vivo.

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Gostei muito dos dois personagens, Marie-Laure é uma garota adorável, e Werner… Ah Werner! Fiquei completamente apaixonada por ele. Além disso a maneira como a história se desenrola até o inesperado encontro dos dois personagens é simplesmente de partir o coração.

O espaço-tempo dentro da história é incrivelmente longo e muitas coisas acontecem, o que faz com que nos apeguemos aos personagens, como se eles fossem velhos amigos que sempre estiveram em nossas vidas e quando por fim o livro acaba a sensação de vazio é inegável. Não tenho palavras para explicar o quanto amei este livro. A escrita de Anthony é viciante e somada aos “micro capítulos” torna o livro algo impossível de largar. E quando se está próximo do fim tudo culmina em uma coisa e sim, o coração se parte ao finalizar a leitura.

Para Werner, as dúvidas surgem regularmente. Pureza racial, pureza política – Bastian fala com horror de qualquer tipo de corrupção. No entanto, medita Werner na calada da noite, a vida não é uma espécie de corrupção? Uma criança nasce, e o mundo se apossa dela. Arrancando coisas dela, alojando coisas nela. Cada porção de comida, cada partícula de luz entrando no olho – o corpo nunca pode ser puro.

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No início estava um pouco apreensiva com a leitura, por ter muitas expectativas, mas felizmente elas foram superadas. Apesar de ser um tema frequente em livros o autor conseguiu inovar na maneira como contou sua história sobre o período da Segunda Guerra. Me pareceu que o livro traz uma outra visão, mais emotiva, sobre um tema tão recheado de horrores. Ao invés de focar nas atrocidades que ocorreram naquele momento o livro nos apresenta um outro tipo e história, mais singela e sentimental. Em vários momentos da leitura eu imaginava a história como um filme e torço para que ele seja adaptado para a telona.

Porém, à medida que Werner permanece de pé no meio da neblina que se dispersa lentamente no final da Rue Vauborel, ensaiando o que vai dizer, a porta da frente da casa de número 4 se abre, e de lá não sai um eminente velho cientista, mas sim uma garota. Um garota magra, bonita, de cabelos arruivados, com o rosto cheio de sardas. Ela se dirige para a esquerda, vindo exatamente ao encontro dele, e o coração de Werner se contrai dentro do peito.

Toda Luz Que Não Podemos Ver foi o vencedor do prêmio pulitzer de literatura em 2015 e com certeza foi mais do que merecido. É uma história complexa e bem estruturada, com personagens marcantes. O título do livro além de ter uma sonoridade incrível possui um ótimo enlace com a história. Mais do que recomendado é um livro único e com toda certeza um dos favoritos da vida.

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2 comentários sobre “Toda Luz Que Não Podemos Ver – Anthony Doerr

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