Eu Sou Malala – Malala Yousafzai

Há muito tempo estava curiosa e ansiosa para ler a biografia da Malala. Sempre ouvi falar da luta dela pela educação e de sua posição feminista e mesmo antes de ler já tinha me afeiçoado muito a mais jovem ganhadora do prêmio Nobel da Paz.

Venho de um país criado à meia-noite. Quando quase morri, era meio-dia. Há um ano saí de casa para ir á escola e nunca mais voltei.

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O livro é dividido em cinco partes e nelas podemos conhecer um enorme panorama de fatos e informações políticas e histórias que auxiliam na compreensão da turbulenta política que vigora no Paquistão. Desde a criação do país em 1947 o local é recheado de golpes políticos, militares e corrupção.

Os agentes do Estado devem proteger os direitos dos cidadãos, mas a situação é dificílima quando não conseguimos diferenciar o Estado do não Estado e quando não podemos confiar no Estado para nos proteger do não Estado.

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Confesso que no início fiquei extremamente extasiada enquanto lentamente a compreensão dos fatos se unia na minha cabeça. Foram em apenas alguns momentos que durante essas narrações achei um tanto cansativo, isso pelo fato de serem muitos nomes de pessoas, locais e situações. Assim como Malala minha política favorita descrita no livro foi Benazir Bhutto. Há também as descrições dos conflitos daquela região que se referem as tribos que lá viviam que antecedem muito a criação do país do Paquistão. Uma dessas tribos é a de Malala, os pachtums, que até hoje vivem por lá e carregam seus costumes próprios.

Embora amássemos estudar, só nos demos conta de quanto a educação é importante quando o Talibã tentou nos roubar esse direito. Frequentar a escola, ler, fazer nossos deveres de casa não era apenas um modo de passar o tempo. Era nosso futuro. O Talibã podia tomar nossas canetas e nossos livros, mas não podia impedir nossas mentes de pensar.

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Algumas das fotos incríveis da Malala que estão no livro

Malala cresceu no vale do Swat um local tranquilo, pacífico e familiar, recheado de estatuas milenares de Budas . A garota conta sua trajetora como defensora da educação que começou muito antes de a mesma ter nascido. Foram os incentivos do avô que definiram a forte personalidade do pai de Malala, levando-o a criar sua própria escola, local onde Malala frequentava desde muito nova. Os eventos mundialmente conhecidos como o 11 de setembro se entremeiam em um cotidiano de uma cultura completamente diferente da nossa. As palavras de Malala são fortes e nos dão um choque de realidade em muitos momentos, mas em outros é fácil se inteirar com a causa dela, tudo que ela sempre quis foi estudar, ser capaz de ir a escola e aprender. Que ela e outras milhares de meninas possam ter esse direito.

Eu lia livros como Anna Karênina de Leon Tolstói, e os romances de Jane Austen. Confiava nas palavras de meu pai: “Malala é livre como um passáro”. Quando ouvia as histórias sobre as atrocidades que aconteciam no Afeganistão, eu celebrava o Swat. Aqui uma menina pode ir à escola, eu dizia. Mas o Talibã estava ali, na esquina, e era pachtum como nós. Para mim, o vale era um lugar ensolarado. Não pude ver as nuvens se juntando atrás das montanhas. Meu pai costumava falar: “Vou proteger sua liberdade, Malala. Pode continuar sonhando”.

Algumas pessoas têm medo de fantasmas, e outras, de aranhas – naquela época tínhamos medo de outras pessoas.

Mas a sombra do Talibã se espalhava pelo pequeno vale do Swat trazendo medo, insegurança e aflição. Foi uma aproximação “lenta”, mas em pouco tempo o grupo terrorista já estava embrenhado no Paquistão após fugir do Afeganistão por conta da ofensiva do exército americano. E para o desespero dos moradores do tão simpático e hospitaleiro vale eles agora são largados a própria sorte. É angustiante a sensação de impotência que se instala no leitor ao ler sobre a política ineficaz que rodeia este período. O medo se instala no leitor fazendo ser impossível de largar o livro e o pior: já sabemos onde a história culminará.

Mas eu disse: “Educação é educação. Deveríamos aprender tudo e então escolher qual caminho seguir”. Educação não é oriental nem ocidental, é humana.

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Família da Malala ❤︎

Com uma voz incrível e uma escrita extremamente habilidosa, Malala cativa até o último minuto. Ela nos faz chorar, rir, temer, mas acima de tudo ter esperança. De que a luta será recompensada e que em breve todas as meninas e pessoas do mundo tenham seu direito à educação assegurado. O livro é uma narrativa poderosa, leitura indispensável e imprescindível para a compreensão de toda a política e cultura presente no Paquistão, mas também para angariar conhecimento sobre a história incrível da menina que luta pela educação.

Eu sou Malala foi o livro escolhido para o Paquistão no meu projeto A Volta ao Mundo em 80 Livros, para saber mais clique aqui.

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