Em outubro do ano passado comecei a ler The Girl On The Train. Depois de umas cem páginas fiquei um pouco estagnada e acabei deixando o livro de lado. Em dezembro peguei ele de novo e em menos de dois dias devorei-o.

Eu fecho meus olhos e deixo a escuridão crescer e se espalhar até que ela se transforma de um sentimento de tristeza para algo pior: uma memória, um flashback.

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Rachel é uma alcoólatra divorciada que mora com sua amiga Cathy. Apesar de estar no fundo do poço e praticamente falida ela ainda finge ir ao trabalho todos os dias, pegando o trem da manhã na ida e o do final da tarde na volta. Nesses trajetos o trem sempre para em frente a um conjunto de casas (brancas na minha mente, não lembro se são dessa cor mesmo) chiques de condomínio. Rachel observa pela janela. Ela costumava ter outra visão destas casas, uma visão de dentro, uma visão de quem mora em uma, mas agora ela é uma estranha, uma stalker e tudo que pode fazer e observar aquele local pela janela do trem.

Eu não acredito em almas gêmeas, mas há um entendimento entre nós que eu nunca senti antes, ou pelo menos, por um bom tempo.  Ele vem da experiência compartilhada, de saber como é se sentir quebrado.

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Vazio: isso eu consigo entender. Estou começando a entender que não há nada que você possa fazer para consertar isso. É isso que eu aprendi das sessões de terapia: os buracos na sua via são permanentes. Você tem que crescer ao redor deles, como as raízes crescem no concreto, você se molda ao redor das lacunas.

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Na casa mais próxima dos trilhos, onde o terraço é facilmente observável pelo local onde Rachel se senta todas as vezes, há um casal. Rachel os chama de Jess e Jason e acompanha sua rotina diária de café da manhã, todos os dias. Até que em um dia ela vê algo chocante, algo que não pode ser real. E então em segundos o trem se move e tudo fica para trás. Incapaz de acreditar em seus olhos Rachel decide levar a informação à polícia e logo se vê no meio da trama que envolve muito mais pessoas do que ela imaginava.

Eu gosto de trens, e o que tem de errado nisso? Trens são maravilhosos.

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Primeiramente absolutamente adorei a ideia da autora de escrever sobre os estranhos que as pessoas olham na rua (ou em qualquer outro lugar), sejam eles nomeados ou não (quem nunca?). Isso é tão real que foi simplesmente uma ideia incrível para um livro, ainda mais por que não se conhece a pessoa a quem se observa, ele é um estranho, total e completo. Isso só aumenta ainda mais o suspense em torno da história.

Rachel é uma personagem cheia de problemas. Ela não consegue parar de beber, não consegue não ir atrás do ex-marido, que tem uma nova família, foi demitida do emprego e não tem condições de arrumar outro pois não consegue ficar sóbria. Mesmo assim ela carrega aquele ar de anti-heroína  e em muitos momentos fiquei com muita pena da personagem, já em alguns outros ela me deixou agoniada pois teve um apagão e não consegue se lembrar de uma noite crucial onde inúmeros eventos se desenrolaram. Mais uma vez é impossível não se relacionar, mais um ponto para a autora.

Eu me sento no chão com o porta retrato na minha frente e penso sobre como as coisas se quebram todo o tempo e que você simplesmente não consegue consertá-las.

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No livro há mais duas narradoras além de Rachel, seus nomes são Megan e Anna. The Girl On The Train é um thriller muito difícil de resenhar, pois em hipótese alguma deve-se ler spoilers do livro, portanto não vou dissertar sobre as duas personagens, apenas que gostei bastante de Megan e de sua complexidade. É ótimo ler uma história com não uma, mas três personagens femininas fortes e complexas, outra vez mais um ponto para a autora.

Gostei que o livro é dividido não apenas pelos capítulos das diferentes narradoras, mas também em manhã, tarde e noite dentro de cada capítulo, não apenas se referindo aos horários dos trens que Rachel pega, mas servindo de um importante elemento situador durante a narrativa.

Eis que chegamos ao fim e aí então ao problema. Em primeira instância há o momento onde tudo faz um click na narrativa, onde todos os eventos chegam no ponto para então nos depararmos com a última revelação. Foi um pouco surpreendente, mas nem tanto. O problema foi depois disso, onde o real desfecho ocorre. Algo simplesmente não deu certo ali. Fiquei bem incomodada com esse final, o que me decepcionou com a obra no geral, porque um livro tão bom teve um final tão bléh. Esse foi o principal motivo pelo qual The Girl On The Train é um quatro estrelas. O que não é pouco, sendo este um bom livro.

É uma leitura recomendada e estou muito curiosa para a adaptação cinematográfica que deve sair ainda em 2016. O livro já foi publicado no Brasil com o título de A Garota no Trem.

Este foi o livro escolhido para o Zimbabwe no meu projeto A Volta ao Mundo em 80 Livros. Para saber mais clique aqui.

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