Fico feliz em dizer que finalmente li este livro. 1984 é um livro que estava há muito tempo na minha tbr e thanks to Jacqui agora tenho essa edição linda, obrigada! Já resenhei duas outras distopias “antigas” aqui no blog, Laranja Mecânica e Admirável Mundo Novo, mas sem sombra de dúvida 1984 é minha favorita.

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Acompanhamos a trajetória de Winston Smith, que vive aprisionado no sistema opressivo e totalitário do Partido que age com mão de ferro no ano de 1984, o Estado domina tudo e a figura do Grande Irmão é venerada por todos, afinal ele está de olho em você. A sociedade em que Winston vive é absolutamente assustadora, isto porque praticamente não há mais vida individual, e muito menos liberdade de expressão, já que aos poucos os três lemas do partido foram se consolidando e se tornaram completamente intrincados e enraizados na mentalidade das pessoas, e agora Guerra é Paz, Liberdade é Escravidão e Ignorância é Força.

O ideal definido pelo Partido era uma coisa imensa, terrível e luminosa – um mundo de aço e concreto cheio de máquinas monstruosas e armas aterrorizantes -, uma nação de guerreiros  e fanáticos avançando em perfeita sincronia, todos pensando os mesmos pensamentos e bradando os mesmos slogans, perpetuamente trabalhando, lutando, triunfando, perseguindo – trezentos milhões de pessoas de rostos iguais.

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O livro é dividido em três partes, e logo nos primeiros capítulos Winston descreve como a sociedade funciona, seus inúmeros ministérios com diferentes funções relacionadas ao controle de informações e de pessoas, a Polícia das Ideias, responsável por vigiar vinte e quatro horas por dia, todos os dias, a vida das pessoas por meio das teletelas, que transmitem constantemente  as imagens e sons de cada casa. O conceito de pensamentocrime, quando a pessoa começa a ter ideais não aprovados pelo Partido, a Novafala que diariamente modifica o vocabulário, deletando palavras e eliminando significados a fim de que as pessoas não sejam mais capazes de formular nenhum pensamento diferente daquilo que é programado e aceito e por fim o conceito de duplipensamento, o mais sinistro e meu favorito. Já no primeiro capítulo do livro Winston demostra seu total e completo desgosto para com o Partido e com a figura do Grande Irmão, cometendo não apenas o ato de pensamentocrime ao desejar a libertação das pessoas como escrevendo repetidamente a seguinte frase: Abaixo ao Grande Irmão. O sentimento que predomina no momento da leitura é o de sufocamento, e até mesmo o leitor começa a odiar o Grande Irmão.

Os dois objetivos do Partido são: primeiro, conquistar toda a superfície da Terra, segundo, extinguir de uma vez por todas a possibilidade de pensamento independente. Assim, há dois grandes problemas que o Partido se preocupa em resolver. Um é como descobrir o que um ser humano está pensando, à revelia dele; outro é como matar várias centenas de milhões de pessoas em poucos segundos sem aviso prévio.

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Na segunda parte a personagem Julia entra em cena, ela e Winston desenvolvem uma paixão furtiva e proibida, e acabam se deparando com algo que antes era apenas uma suposição, uma organização secreta que vai contra o sistema. Nesta parte, que é minha favorita, Winston deve ler o livro, supostamente escrito por Goldstein, a pessoa que representa a rebeldia, a revolução, os ideais completamente contrários ao do Partido, o inimigo. É aqui que Orwell explica toda a composição e desenvolvimento que ocorreu no mundo para que no fim a sociedade se tornasse como ela é no tempo de Winston. É simplesmente fascinante. O livro explica por meio dos três lemas do Partido como e ainda mais importante por quê as coisas são da maneira que são.

Mas também ficou claro que o aumento global da riqueza talvez significasse a destruição – na verdade em certo sentido foi a destruição – da sociedade hierárquica. Num mundo no qual todos trabalhassem pouco, tivessem o alimento necessário, vivessem numa casa com banheiro e refrigerador e possuíssem carro ou até avião, a forma mais óbvia e talvez mais importante de desigualdade já teria desaparecido. Desde o momento em que se tornasse geral, a riqueza perderia seu caráter distintivo.

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Winston trabalha no Departamento de Documentação e sua função é alterar o passado. Todo e qualquer registro já publicado já passou por mais alterações do que se pode contar, isto é, para que o Grande Irmão sempre esteja certo em suas previsões, para que todo ano ocorram superfaturamentos, para que toda a informação seja manipulada, a tal ponto que não é de se admirar que não se saiba mais qual é a verdade, porque ela já foi há muito modificada.

E se todos os outros aceitassem a mentira imposta pelo Partido – se todos os registros contassem a mentira imposta pelo partido – se todos os registros contassem a mesma história -, a mentira tornava-se história e virava verdade. “Quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado”,  rezava o lema do Partido. E com tudo isso o passado, mesmo com sua natureza alterável, jamais fora alterado. Tudo o que fosse verdade agora fora verdade desde sempre, a vida toda. Muito simples. O indivíduo só precisava obter uma série interminável de vitórias sobre a própria memória. “Controle da realidade”, era a designação adotada. Em Novafala: ” duplipensamento”.

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Nesta parte fica mais fácil de compreender o conceito do duplipensamento, como por exemplo, o Partido governa a potência da Oceânia e além desta existem duas outras, a Eurásia e a Lestásia. No momento em que o livro se inicia a Oceânia está em guerra com a Eurásia, e ela, segundo o Partido, sempre esteve em guerra com a Eurásia. Mas Winston se lembra muito bem de que há apenas quatro anos a Oceânia estava em guerra com a Lestásia. O momento mais empolgante e paradoxal, é quando no meio de um pronunciamento, onde todos estão com seu ódio voltado para o inimigo (a Eurásia) o discurso muda instantaneamente e agora a Oceânia está em guerra com a Lestásia, e ela sempre esteve em guerra com a Lestásia. Todos aceitam sem nem pestanejar e é isso do que se trata o duplipensamento (deu pra entender?)

Hoje eles não lutam entre si. Absolutamente. A guerra se trava entre cada grupo dominante e seus próprios súditos, e o objetivo dela não é obter ou evitar conquistas de território, mas manter intata a estrutura social. É provável que fosse correto afirmar que ao se tornar contínua a guerra deixou de existir. O efeito seria o mesmo, em ampla medida, se os três superestados em vez de lutar um contra o outro, concordassem em viver numa paz perpétua, cada um inviolado dentro das próprias fronteiras. Porque nesse caso cada um deles continuaria sendo um universo autossuficiente, livre para sempre da influencia moderadora do perigo externo. Uma paz que fosse de fato permanente seria idêntica a uma guerra permanente. Esse – embora a imensa maioria dos membros do Partido só o compreenda de forma superficial – é o significado profundo do lema do Partido Guerra é Paz.

Entendo a importância de Julia na história, mas não gostei da personagem. Ela é tão frívola e ás vezes me peguei pensando se ela não estava apenas fingindo gostar de Winston.  A terceira parte do livro é a mais tensa e o final… Uau, sem palavras. É um final magistral, que mais do que tudo mantém todo esse ar que se desenvolve durante o livro, de impotência de medo do controle mental, de tentar se libertar, de não conseguir escapar extrema opressão.  Gosto de ver os comentários sobre 1984 que dizem que este livro era para ser um aviso e não um guia. É impossível não se colocar no lugar de Winston, não imaginar esse futuro horrendo e distópico, o medo de que algo similar a este mundo contado por Orwell aconteça é algo que se infiltra devagar durante a leitura.  Gosto da escrita de Orwell, do jeito que ele articula as situações e mais do que isso, fico extremamente grata por ele ter escrito este livro.

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É difícil conversar sobre 1984 sem dar spoilers. Mas é um livro incrível, um cinco estrelas que já entrou para a lista dos meus favoritos, e sem dúvida um livro que todo mundo deveria ler.

Este foi o livro escolhido para a Índia no meu projeto A Volta ao Mundo em 80 Livros. Para saber mais clique aqui.

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