Este livro é um resumo de alguns pontos fundamentais da doutrina budista. O budismo é uma tradição filosófica e religiosa que ao longo de 25 séculos tem se adaptado a diferentes culturas e as evoluções da sociedade.

Como prática filosófica e religiosa, o budismo elucida as angústias humanas apontando o engano de tomarmos elementos impermanentes como causa de nossa felicidade.

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É uma leitura que flui, com uma escrita envolvente, que faz uma conexão com o leitor para explicar os ensinamentos com exemplos de nosso cotidiano. A base dos ensinamentos budistas são as 4 Nobres Verdades: a verdade do sofrimento, a verdade da origem do sofrimento, a verdade da cessação do sofrimento, e a verdade do caminho que leva à cessação do sofrimento.

É na estrutura interna da mente que dukkha se instala e opera, gerando os mais diversos tipos de aflições. Sofremos incessantemente, ora por possuir algo que não queremos, por temer perder aquilo que conquistamos, por não ter aquilo que aspiramos, por ter perdido o que nos esforçamos para obter. Sofremos sem nos dar conta de que, devido à estreiteza de nossas bases internas, nas quais os pensamentos repousam, qualquer forma acaba por adquirir qualidades muito sólidas e pesadas. Não mais vislumbramos nenhuma possibilidade de abertura ou flexibilidade. Nos sentimos sufocar ao nos depararmos com as mudanças inevitáveis de nossa posição, tanto no espaço como no tempo.

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O livro é divido em cinco grandes capítulos: Um Jardim Chamado dukkha, que fala da primeira Nobre Verdade; Os Fenômenos Dançam, explica sobre os 12 elos da originação interdependente; Dissolução da experiência da Roda da Vida, fala da quarta Nobre Verdade, A Perfeição da Sabedoria, comenta sobre mais alguns outros ensinamentos e sobre o Sutra do Coração e por fim, E ma ho! é o capítulo de conclusão.

Os budistas explicam que a consciência deludida opera a partir de seis padrões emocionais básicos, que na Roda da Vida são simbolizados por seis reinos.

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Apesar de ter gostado do livro todo, os dois primeiros capítulos me chamaram bastante atenção. São os capítulos mais teóricos do livro e as explicações dos conceitos são incríveis. Em ambos os capítulos o Lama nos guia pedacinho por pedacinho através da figura da Roda da Vida, explicando cada parte e desta forma elucidando nossa mente.

Uma das coisas que mais gostei durante a leitura foi que alguns dos ensinamentos já eram coisas que eu sabia, e vê-los assim explicados e conceituados fez como se tudo fizesse um clic em minha mente. É claro que boa parte dos ensinamentos eu ainda não conhecia, mas foi uma leitura de aprendizado muito interessante. Depois de ler o livro pude entender finalmente o por que de as pessoas se referirem ao budismo como prática filosófica, e passei a concordar com elas.

Olhe a foto de alguém. Você vê qualidades nessa pessoa, desenvolve sentimentos ao olhar a foto? Mas não há ninguém ali, apenas papel e tinta. Assim, de onde vieram as qualidades que você está vendo? As qualidades que vemos nas fotos surgem de nossa própria experiência cármica; assim, o conteúdo das fotos pode mudar com o tempo. Nós mudamos e as fotos então mudam. E não apenas as fotos. Nossas lembranças mudam, o passado muda. O passado se estrutura a cada momento como uma nova experiência na nossa mente.

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O edição do livro tem um cuidado primoroso, com capa dura, folhas em papel couché fosco (que tem um cheiro incrível) e é ricamente ilustrado. É uma leitura recomendada a todos que queiram saber um pouco mais sobre o budismo, ou que simplesmente queiram abrir suas mentes para algo completamente novo.

A experiência do que vemos é inseparável de nossas estruturas internas. Sempre que temos uma experiência de objetos , nosso papel de observador esta presente. A mente vê a mente, ou seja, nossa mente vê os objetos conforme suas noções internas, e é a partir disso que nos relacionamos com o mundo, atribuindo significados e funções a tudo, inclusive sensações de gostar, não gostar, ou ser indiferente. Mudanças na estrutura interna provocam mudanças nos objetos que vemos e nas sensações agradáveis, desagradáveis ou de indiferença que eles provocam.

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Agradecimentos especiais ao vovô a.

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Um comentário sobre “A Roda da Vida – Lama Padma Samten

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