Me faltam palavras para descrever o impacto que esse livro causou em mim, o quanto eu amei cada momento de leitura que tive com ele e como ele entrou para a lista de favoritos da minha vida quase que instantaneamente, mas vou tentar me expressar da melhor maneira possível.

“Aqui está”, ele dizia reverentemente. “A caixa representa o limite misterioso entre a realidade e o faz de conta. Será de Reinhart? Será de Thistleton? Ou será sua? Porque cada um de nós tem sua caixa, uma câmara escura guardando aquilo que lancetou nosso coração. Contém aquilo pelo que você faria tudo, pelo que anseia, o que distorce tudo ao seu redor. E se fosse aberta, algo seria libertado? Não. Pois a prisão impenetrável com o cadeado impossível é a sua própria cabeça.”

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Scott McGrath tem uma necessidade enorme de descobrir a verdade por trás das coisas. Há alguns anos ele tentou investigar e expor os segredos do recluso e misterioso diretor de cinema Stanislas Cordova, que não é visto em público há mais de trinta anos. McGrath não obteve sucesso e quase perdeu sua carreira, seu casamento e até mesmo sua dignidade durante o caso, mas agora que a filha do diretor, Ashley Cordova, foi encontrada morta, McGrath não consegue ficar longe da investigação por muito tempo e logo está se esforçando para juntar os pedaços do que parece ser um louco e horripilante quebra cabeças, mesmo que isso signifique correr todos os riscos, inclusive o de perder a própria vida.

A coisa mais maravilhosa sobre esse livro é toda a ambientação criada pela autora, veja bem, Stanislas Cordova é a mente por trás de diversos filmes horripilantes e perturbadores, que deixam adultos sem dormir por dias a fio, filmes banidos que geraram um séquito de fãs devotados as ideias do brilhante diretor. Isso tudo é ainda mais real por conta do material visual presente no livro, recortes de jornais e revistas, páginas da internet, bilhetes manuscritos, cenas dos filmes, e até mesmo um site de fãs, o Blackboards (que por sinal existe na web e é incrível) onde só os verdadeiros conhecedores da obra do cineasta conseguem entrar.

Soberano. Mortal. Perfeito. Essas três palavras, que Cordova usara era um slogan do Blackboards e da própria vida. Soberano: a santidade individual, ver a si mesmo como uma autoridade nobre, poderosa, autossuficiente e que luta por si, afastado da sociedade. Mortal: consciência constante de que sua própria morte é inevitável, o que significa que não há motivo para não ser sedento, agora, por sua vida. Perfeito: a compreensão de que a vida e onde quer que você esteja no presente são absolutamente ideais. Sem arrependimentos, sem culpa, porque, mesmo se estiver preso, isso seria apenas um casulo a romper – libertando a sua vida.

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A escrita de Marisha é envolvente e rápida, tudo acontece num piscar de olhos, capítulos curtos e muitos acontecimentos se desenrolando ao mesmo tempo. Não há nem tempo para respirar direito de tanta empolgação na leitura. Nas últimas duzentas páginas eu já estava com os olhos pregados na página, incapaz de largar o livro por um minuto sequer. O desfecho do livro foi um dos melhores que já li, a ansiedade quase explode de dentro das palavras escritas, é intenso, real e incrível.

No momento que terminei o livro senti uma emoção incrível, uma mudança, como se agora existisse a pessoa que eu era antes de ler, e então uma nova surgisse. Isso tudo devido ao tão grande impacto que a obra causou em mim.

Como se ao testemunhar tais coisas eu estivesse irrevogavelmente me ensinando (ou apenas me desmontando), chegando a uma compreensão da humanidade tão soturna, tão profunda em minha alma que nunca conseguiria retornar ao modo como era antes.

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O mais interessante é que durante a investigação feita por McGrath, juntamente com dois improváveis parceiros, Nora a última pessoa a ver Ashley com vida e Hopper, um jovem com quem a vítima entrou em contato pouco antes de morrer, as milhares de pontas soltas tanto sobre o caso de Ashley como sobre a vida da família Cordova começam a se amarrar, e quando pensamos ter descoberto a resposta ela se esvai, provando como os segredos podem ser muito bem guardados e como as pessoas tem milhares de camadas e como acontecimentos podem ter versões completamente diferentes, simplesmente porque ninguém sabe o que aconteceu de verdade.

A Sombra é o que as pessoas caçam ao longo da história. É um vazio eterno dentro de você, que nunca é preenchido. É tudo na vida que você não pode tocar, segurar, tão efêmero e doloroso que o faz engasgar. É o que aterroriza e paradoxalmente o que procura.  Não somos nada sem nossas sombras. Elas dão definição ao nosso mundo que do contrário seria pálido e ofuscante. Nos permitem ver o que está bem à nossa frente. Mas nos assombram até estarmos mortos.

É claro que depois de ler o livro indubitavelmente me tornei uma Cordovita, fã do mestre sombrio e de suas obras sinistras, de certa forma parte da resistência que é ser fã de tal pessoa. Como eu disse no começo, me faltam palavras para descrever o quanto amei este livro, há tanto a dizer, mas não devo estragar a surpresa, porque é essa a melhor coisa sobre Filme Noturno você nunca sabe o que te espera na próxima página. Um cinco estrelas, um favorito, um novo vício, este livro vai muito além do recomendado.

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