Nas oito histórias interligadas que compõem o livro, Amós Oz, que nasceu em Jerusalém, nos leva para dentro da realidade dos anos 50 dentro do kibutz Ikhat. Um kibutz é uma comunidade em que a organização  se baseia na cooperação voluntária e gratuita dos coproprietários para garantir a subsistência das famílias cooperadoras.

Por que você toma sobre seus ombros toda a aflição que há no mundo?

Na primeira história conhecemos a realidade de Tzvi Provizor, o solitário jardineiro do kibutz. Ele é chamado pelos membros da comunidade de “Anjo da Morte” pois sempre está relatando as notícias ruins que ouve no rádio, mesmo que ninguém queira saber delas. Ao longo do livro outros personagens protagonizam as histórias e outros aparecem ao fundo da narrativa, e em alguns contos podemos ver o desfecho de algum outro por meio da perspectiva de outro personagem.

A partir do que lia nos livros ia chegando cada vez mais à simples conclusão de que a maioria das pessoas necessita de mais afeto do que aquele que podem obter.

Das oito narrativas apresentadas os meus favoritos foram: Entre Amigos, Pai e À noite. O mais genial deste pequeno livro, que foi devorado por mim em uma tarde, é que apesar de levar o nome de Entre Amigos o livro retrata uma solidão enorme vivida por vários personagens diferentes, mas que estão todos no mesmo lugar. É algo bem tocante. Me impressionei também com a forma com que o autor nos transporta para a realidade daquele lugar, mesmo em poucas páginas senti que conheci muito sobre como é estar em um kibutz.

Porque a sociedade kibutziana não tem nenhuma resposta para a solidão. Mais do que isso: o próprio conceito de kibutz nega o conceito de solidão.

Uma coisa que me intrigou muito foi a forma como o livro é narrado, pois o narrador parece ser um personagem, mas ele não tem nome e não parece participar ativamente das histórias, mas ainda assim está lá vivenciando-as na comunidade. Ele conversa com o leitor falando “nosso kibutz” “entre nós” e coisas assim, dessa forma ele faz com que o leitor também se sinta parte do kibutz, e isso foi muito bom na leitura.

Também gostei de como as histórias se desenrolam, apesar de curtas elas transmitem muita coisa, e não tem necessariamente um final, mas apesar de ás vezes desejar que elas fossem maiores acabei compreendendo que o ponto não era deixá-las enormes ou com finais felizes, mas sim relatar sobre a vida e o cotidiano destas pessoas, de uma forma profunda e simples.

Amanhã talvez alguma coisa finalmente se esclarecesse. E na verdade amanhã era hoje.

2015-04-05 12.57.54

Gostei muito do livro, que é o meu primeiro contato com obras do autor e pretendo ler mais coisas dele. E também gostei muito do trabalho da Companhia das Letras feito na edição do livro. Este foi o livro que escolhi para Israel no meu projeto A Volta ao Mundo em 80 Livros, para saber mais clique aqui.

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