Neste relato autobiográfico, e também o primeiro livro do autor,  Orwell nos leva ao momento em que teve seu choque com a realidade da pobreza. Desempregado e com o desejo de se tornar escritor ele se instalou em um hotel barato em Paris. Logo seu dinheiro acabou, assim como as fontes para obtê-lo. Ele vendeu as roupas e os itens que podia, mas logo passou fome, e nos descreve as experiências e pensamentos pelos quais passou estando por fim, na pior.

Quando você se aproxima da pobreza faz uma descoberta que supera algumas outras. Você descobre o tédio, e as complicações mesquinhas e os primórdios da fome, mas descobre também o grande aspecto redentor da pobreza: o fato de que ela aniquila o futuro.

2015-02-20 17.16.22

Por sorte ele encontra um velho amigo e ambos conseguem um trabalho em um hotel, e logo a rotina é outra, a comida retorna, assim como uma quantia de dinheiro, mas isto quase que não basta pois o trabalho a ser feito para ganhar tal pagamento é sufocante. Ele trabalha como plongeur um lavador de pratos misturado com faz-tudo. Na hierarquia da cozinha, como ele nos conta, o plongeur é mais um escravo do que qualquer outra coisa, chegando a trabalhar de dez a quinze horas por dia ele não tem tempo nem para pensar.

Os garçons de bons hotéis não usam bigode e, para mostrar sua superioridade, decretaram que os plongeurs também não devem usá-los; e os cozinheiros usam bigode para mostrar seu desprezo pelos garçons. Isso dá uma ideia do elaborado sistema de castas existente em um hotel.

2015-02-20 17.16.04

Pouco antes de a parte de Paris acabar, Orwell explicita seus pensamentos sobre os plongeurs e sobre como são tratados, fazendo assim uma severa critica ao sistema. A parte de Paris foi sem dúvida a minha favorita do livro. Logo ele consegue um emprego em Londres e retorna à Inglaterra. Porém ao chegar lá a situação muda e ele encontra-se mais uma vez desempregado. Ele volta então a passar fome, porém agora de uma forma totalmente diferente, desta vez como um mendigo.

Era a terra da chaleira e da bolsa de empregos, assim como Paris  é a terra do bistrô e dos estabelecimentos que exploram desumanamente os empregados.

2015-02-20 17.22.28

Pastel + coca + Orwell = ♥

2015-02-20 17.19.35

Gostei muito da narrativa de Orwell, e o fato de os capítulos serem bem curtos. Como já mencionei a parte de Paris foi a de que mais gostei. A única coisa que me atrapalhou um pouco foi a moeda usada no livro, existe o franco, o xelim, o pence, o penny, e como a maioria são moedas antigas fiquei meio perdida nos valores, mas já que na maior parte do livro ele esta com muito pouco dinheiro, ou nenhum, não foi algo que prejudicou a leitura. Eu já conhecia o autor por conta de 1984, mas me senti muito mais próxima dele depois de ler sobre esta parte de sua vida. Na pior em Paris e Londres é um livro bom, com um conteúdo leve em alguns momentos, mas em outros traz à tona pensamentos diferentes, nos dando realmente uma ideia de como seria, se estivéssemos então, na pior.

2015-02-20 17.19.06

Para mim o Mercado Municipal aqui de Londrina tem um ar meio Francês :)

 

Anúncios

4 comentários sobre “Na Pior em Paris e Londres – George Orwell

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s