Laranja Mecânica é um clássico, mas poucas pessoas leram o livro e sim assistiram ao filme de Stanley Kubrick. A história é uma distopia, muito comparada tanto em sua época como agora com obras como 1984 de George Orwell e Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley. Todas elas seguem um caminho de futuro distópico onde o mundo é algo sombrio e controlador.

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Para mim foi muito bom ter lido o livro sem ter assistido o filme, só o vi depois, porque sim, tenho muitas criticas quanto ao filme, apesar de admitir que ele tem seu valor como obra também.

Somos apresentados a Alex um menino com seus amigos da noite que procuram diversão de uma forma horrível. Uma das coisas que me atrapalhou muito no começo da leitura do livro foram as palavras do vocabulário usado por Alex e seus druguis (amigos) isso porque eles falam o Nadsat, um dialeto inventado por Burgess que mistura as girias dos operários londrinos da época com palavras da língua Russa. Nos primeiros capítulos foi bem ruim de acostumar, mas como há um glossário no fim do livro e como as palavras vão se repetindo acabei pegando o jeito e até pensando com aquelas palavras as vezes.

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Alex acaba por ser capturado pela polícia e devido a acontecimentos posteriores dentro da prisão ele vai parar em um laboratório (ironicamente por vontade própria) para ser “curado de sua maldade” por meio da técnica Ludovico. Veja bem, se o livro já não era desconcertante e até certo ponto perturbador com sua violência gratuita na primeira parte, esta segunda dita o tal processo de cura, algo realmente horrendo, que nos faz ter até pena do narrador. O procedimento parece simples “apenas vamos lhe mostrar alguns filmes” dizem os médicos. Mas, além de serem filmes com diversas atrocidades humanas, Alex foi injetado com um soro que o faz ter um sensação horrível, uma náusea e enjoo acompanhados de uma sensação de estar morrendo. Isso, depois que o experimento termina e ele é ‘devolvido’ ao mundo, o faz repelir qualquer impulso violento, já que ao menor pensamento seu corpo reage de forma insuportável “impedindo-o” de cometer atos violentos. Mas juntamente com os filmes exibidos foi tocada música, mais especificamente a Nona Sinfonia de Beethoven, o favorito de Alex e isso faz com que a música seja relacionada a coisas ruins para ele, estragando uma das poucas coisas que ele gostava de fato.

O livro que eu tenho é uma edição especial de 50 anos, com muito material especial e inédito. Coisas que apreciei imensamente. Os que mais gostei foram A Condição Mecânica Geleia Mecânica. Veja bem, estes extras escritos por Burgess nos explicam melhor a intenção e a verdadeira interpretação de Laranja Mecânica. Não é simplesmente violência por violência que fez até o autor ser confundido com uma pessoa violenta. Não. Na verdade é algo muito mais profundo e o maior motivo de eu ter gostado de Laranja Mecânica. Desde o título todos os detalhes do livro foram pensados para um conjunto final que teria um determinado impacto, coisa que o filme, ao qual Burgess comenta não ter apreciado tanto assim, deixa a desejar, impulsionando-nos a uma outra direção de pensamento, não bem o que o autor quis realmente explicitar.

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Ilustração do Angeli! Adorei!

Achei o filme violento, principalmente na primeira parte, mas confesso que esperava que fosse pior. Algumas dessas cenas ‘ruins’ são menores do que no livro (sim ele tem mais violência) mas além disso acho que para mim o impacto maior sempre é lendo as coisas, mais até do que vendo um filme. A crítica de que o filme incentiva a violência faz um pouco de sentido, porque como eu disse se comparado com o livro o filme acabou perdendo um pouco deste sentido que Burgess quis passar, e até algumas cenas ficaram com um tom meio que humorado, ainda que um humor negro, mas ao meu ver ficaram estranhas, do tipo que faz as pessoas se perguntarem “porque estou vendo isso mesmo?”. Sei da importância que o filme teve, como já mencionei, é legal ver aquele famoso estilo Alex de se vestir e algumas partes do filme foram interessantes, mas ouso dizer que não gostei, prefiro o livro, com sua bagagem mais profunda e detalhada e até, vamos dizer, melhor explicada.

O título relaciona-se perfeitamente com o resultado dos experimentos realizados em Alex, afinal é a junção de algo natural com algo mecânico, forçado. A intenção com o livro era de argumentar de que é melhor ser mau a partir do livre-arbítrio do que ser bom por lavagem cerebral científica. O último capítulo do livro, seu epílogo, mostra um Alex diferente, amadurecido e disposto a abandonar seu estilo de vida violento, com pensamentos diferentes sobre o amor e sobre até tornar-se pai e marido. Aí sim nos deparamos com a mudança genuína. Algo que nas palavras do autor remetem a uma laranja, antes podre, que agora se preenche com algo próximo da doçura humana. Este epílogo pode parecer estranho para aqueles que apenas viram o filme porque, a primeira edição americana do livro, usada por Kubrick para seu roteiro, não possuía este capítulo, porque o editor de Burgess achou melhor não colocá-lo, um erro, na minha opinião. Afinal só então neste último capítulo que o entendimento desta critica a uma bondade forçada e a questões morais de escolha são finalmente expostos pelo autor por meio da mudança de seu personagem. Senti muita falta disso no filme, que acabou por ter um tom mais político, e um tom muito mais ácido, porém quase que sem justificativa, é mais difícil de entender. Outra coisa que interferiu bastante foi que Alex, um jovem de quinze anos no livro, não aparenta ter esta idade no filme , sei que atores sempre são mais velhos que o personagem, mas neste caso ele realmente não aparenta ser um adolescente. O Alex do filme me lembrou muito Norman Bates, com seus traços de psicopatia e seu imenso carisma. Esta pouca idade do Alex do livro contribui para que ele pareça “não ter noção do que está fazendo” e também para que o no final, esta violência que parece inata acaba por se mostrar algo passageiro, dando lugar a sua vida adulta.

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Esses e outros comentários e discussões feitos pelo autor, abordam questões filosóficas, morais, teológicas e da natureza humana em geral, explicando seus motivos e sua intenção com o livro. Não é um favorito meu, mas definitivamente um livro que gostei de ler, por sua bagagem que vai muito além das páginas, e por todas as coisas que ele nos faz pensar, nos faz questionar.

É uma história muito horrorshow meus melenk druguis, muito mesmo, e não se esqueçam do moloko velocet e aquela kal total.

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