Começo dizendo que sinto muito por não ter lido esse livro antes. Sinto muito mesmo, mas antes tarde do que nunca, nossos caminhos por fim se cruzaram. Liesel Meminger é uma pequena garotinha alemã, que vive em um período muito turbulento, a Segunda Guerra Mundial. Por causa disto ela precisa ir para um novo lar, e ter uma nova família, como uma espécie de refugiados de guerra. Na viagem de trem o primeiro encontro de Liesel com a morte se desenrola, seu pequeno irmão com apenas seis anos, na época, morre subitamente. Chocada a menina assiste ao breve enterro do irmão antes de partir rumo ao seu novo destino, mas não antes de roubar seu primeiro livro.

Pausa. Ás coisas podem ficar meio confusas dessa forma. Primeiro ponto: O livro é narrado por ninguém menos que a morte, em terceira pessoa é claro, mas em breves anotações, ou comentários sarcásticos percebemos a presença dela. Afinal quem tem a chance de ter sua história contada pela morte não é qualquer um. Há tantos comentários da morte que me fascinam, como as observações sobre as cores do céu em determinados horários onde tais pessoas morreram. Ou simplesmente a forma como a morte tem pena dos que morrem em vão na guerra, e tudo o que ela quer são férias.

“Como a maioria dos sofrimentos, esse começou com uma aparente felicidade.”

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A pequena e frágil Liesel chega então a rua Himmel, seu novo lar. E ao se deparar com seus novos pais, não é a mamãe, Rosa Hubermann que a acolhe e se torna sua companheira de aventuras, mas sim seu papai, Hans Hubermann, que com seu jeito tímido, porém cheio de amor e carinho, se tornará o parceiro de Liesel, aquele que irá ensiná-la a ler seus amados livros, que a ensinará a escrever suas próprias histórias, e que sempre estará lá no meio da noite, pouco depois do pesadelo que irá afligi-la por tantos anos (a morte de seu irmão), e tocará seu acordeão para animá-la. Não que a mamãe não a ame, pelo contrário, ela só tem um jeito meio estranho de demonstrar isso, o que consiste basicamente em gritar “Onde está você sua Saumensch?” citando a morte aqui para explicar a palavra alemã, que aliás existem inúmeras no livro, “Sau refere-se a porcos. E Saumensch é usado para humilhar alguém do sexo feminino, pronuncia-se “zaumench”. E não podemos esquecer do Saukerl (masculino) e do Arschloch (babaca).

O livro é extremamente descritivo, pois desde a chegada de Liesel a rua Himmel, até a descrição dos pais, ou mesmo a descrição das palavras alemãs, tudo é muito muito bem explicado e detalhado, então a “visão” que você tem ao ler é muito ampla. Eu simplesmente amei isso, e acredito que facilitou muito o processo de gravações do filme.

Odiei as palavras e as amei, e espero tê-las usado direito.

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Não posso me esquecer de mencionar mais dois personagens muito importantes. O primeiro deles é Rudy Steiner o melhor amigo de Liesel e também seu vizinho da casa ao lado. Rudy vem de uma família de seis filhos e em pouco tempo já se torna uma companhia agradável para Liesel. Não antes, é claro, de eles se estranharem no campo de futebol improvisado, trocarem algumas caneladas e por fim Rudy acabar se apaixonando por Liesel, não bastasse isso, os dois são parceiros no crime. Além de Liesel roubar livros, seu melhor saque, juntos eles roubam coisas inofensivas, como algumas maças, ou batatas. E Rudy sempre encontra um jeito de pedir um beijo a sua adorável Saumensch.

O outro personagem extremamente importante é Max Vanderburg. O judeu do porão. De uma forma muito inusitada, Max aparece na porta dos Hubermann pedindo por abrigo no meio da noite. E assim começa uma amizade muito improvável entre Liesel e um completo estranho. Max é tão cativante e sincero, ele se torna um porto seguro para Liesel, uma rotina. Ela lhe traz palavras cruzadas, lhe diz a previsão do tempo, e acima de tudo ela lê para ele. Não posso dizer o quanto estou encantada com Max, ele é tão perfeito, ele faz livros para Liesel, ele faz desenhos para ela… Ele é incrível.

“Meu vicio de hoje, pode ser o passo pro meu abismo de amanhã.

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Ao longo dos quatro anos em que o livro se passa Liesel rouba vários livros, e com eles descobre o poder das palavras, palavras que a salvaram, que  foram sua única companhia, e que acima de tudo nos contam sua história. Há tantas coisas que desejo contar nesta resenha, porém isso seria incrivelmente desagradável para vocês que a leem. Portanto vou me conter, mas não guardo elogios para este peculiar livro branco. Ele me cativou de uma forma incrível, se tornou “meu lar” digamos assim. Depois que terminei de ler, a rotina de pegá-lo á tarde para ler não era mais possível e isso me causou um enorme vazio. Liesel se tornou minha melhor amiga, uma pequena companheira, e sua história se tornou parte de mim. Não me lembro de ter chorado em muitos livros, porque isso raramente acontece, mas no final não consegui me conter. Dizer que este livro é perfeito, é pouco. Dizer que você deve lê-lo, é pouco. Na verdade acho que você deveria sair de sua cadeira agora mesmo e ir comprá-lo, por que mesmo depois de sete anos de sua publicação, ele ainda esgota nas livrarias. E não é para menos, em 2014 terei o prazer de rever minha amiga Liesel nas telas do cinema.

Espero que nesta humilde resenha, eu tenha plantado a semente da ideia em você. E que agora com essa ideia você leia o livro e se surpreenda tanto quanto eu. Muito obrigada meus Arschloch. 

“Com um sorriso desses você não precisa de olhos.”

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* Nos guetos de Bangkok haha*

Deixo com vocês o trailer do filme e uma música que achei que combinou com as fotos do post.

“Palavras são vida, Liesel”

Auf Wiedersehen.

Esse foi o livro escolhido para a Austrália no meu projeto A Volta ao Mundo em 80 Livros (e também foi o único livro lido antes de começar o projeto mas decidi incluí-lo mesmo assim). 

Editora: Intrínseca

Autor: Markus Zusak

Título Original: The Book Thief

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2 comentários sobre “A Menina que Roubava Livros – Markus Zusak

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